Cheias destroem escolas e forçam Governo a rever horários para evitar aulas debaixo de árvores – Times de Todos

Maputo – O Governo moçambicano está a analisar a possibilidade de reorganizar os horários das aulas com o objetivo de impedir que alunos continuem a estudar debaixo de árvores, numa altura em que centenas de escolas foram danificadas ou destruídas pelas cheias registadas no país.
A informação foi avançada esta terça-feira pela ministra da Educação, Samaria Tovela, que explicou que a medida poderá ser aplicada inicialmente ao ensino primário, por se tratar do nível mais afetado pela falta de infraestruturas adequadas, após as inundações que atingiram várias regiões, sobretudo no sul de Moçambique.
Segundo a governante, a ausência de condições mínimas em muitas escolas obriga o setor a procurar soluções temporárias que garantam um ambiente mais digno e seguro para as crianças. Nesse sentido, o reajuste dos horários surge como uma alternativa para assegurar que os alunos tenham acesso às salas de aula disponíveis.
Samaria Tovela reconheceu que o arranque do ano letivo, agora previsto para o final de fevereiro depois de ter sido adiado em janeiro, continua a enfrentar constrangimentos em várias zonas do país devido às cheias. Ainda assim, garantiu que o Governo está a mobilizar recursos para responder aos desafios existentes.
No final de janeiro, a Associação Nacional dos Professores de Moçambique (Anapro) defendeu a revisão do calendário escolar nas regiões afetadas pelas inundações e solicitou o pagamento integral do 13.º salário aos docentes que sofreram impactos diretos das cheias. A organização propôs, como medida urgente, o pagamento antecipado e total do subsídio referente a 2025, num contexto em que o Governo autorizou o desembolso de apenas 40% aos funcionários públicos entre janeiro e fevereiro.
A Anapro indicou ainda que, no distrito de Chókwè, na província de Gaza, praticamente todas as escolas das zonas urbana e suburbana ficaram submersas, incluindo estabelecimentos de ensino técnico-profissional, bem como escolas primárias e secundárias.
Entretanto, na província de Sofala, no centro do país, as cheias provocaram igualmente prejuízos significativos no setor agrícola. As autoridades locais apontam para a necessidade urgente de cerca de 800 toneladas de sementes e material vegetativo para apoiar os agricultores que perderam vastas áreas de produção.
De acordo com o diretor provincial da Agricultura em Sofala, António Sacamalua, aproximadamente 31 mil hectares de culturas diversas foram destruídos, com maior incidência nas produções de milho, arroz e mapira. O responsável apelou ao apoio do setor privado para viabilizar a aquisição de sementes, de modo a permitir a retoma das atividades agrícolas após o fim da época chuvosa.
Dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa em outubro, incluindo as cheias de janeiro, foram registadas 153 mortes, 254 feridos e mais de 844 mil pessoas afetadas em todo o país. Face à gravidade da situação, o Governo decretou alerta vermelho nacional a 16 de janeiro.
Atualmente, estão em funcionamento 77 centros de acomodação, que acolhem mais de 76 mil pessoas. As autoridades contabilizam ainda danos em 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes, além de cerca de 440 mil hectares de área agrícola afetada, dos quais mais de 275 mil foram considerados perdidos. As cheias afetaram diretamente a atividade de mais de 314 mil agricultores e provocaram a morte de mais de 408 mil cabeças de gado.
Moçambique tem recebido apoio humanitário de emergência de vários parceiros internacionais, incluindo a União Europeia, Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e países da região.




