Tribunal belga reabre caso do assassinato de Patrice Lumumba – Times de Todos

Sessenta e cinco anos após a execução do líder congolês, a justiça avalia o processamento de Etienne Davignon, de 93 anos, o único suspeito ainda vivo ligado ao crime.
BRUXELAS — O sistema judiciário da Bélgica deu um passo decisivo para enfrentar um dos capítulos mais obscuros do seu passado colonial. O anúncio de que o Tribunal belga reabre caso do assassinato de Patrice Lumumba trouxe esperança à família do herói da independência da República Democrática do Congo (RDC). Lumumba, o primeiro-ministro pioneiro do país, foi assassinado em 1961, e novas evidências podem finalmente levar os responsáveis remanescentes ao banco dos réus.
A Conspiração e o Único Suspeito Vivo
A investigação foca-se agora em Etienne Davignon, que hoje tem 93 anos. Ele é considerado a última figura viva envolvida na conspiração que, segundo a família Lumumba, contou com a colaboração direta de altas autoridades belgas. O objetivo do processo não é apenas punitivo, mas sim a busca pela verdade histórica.
“Não se trata de vingança, mas de sede de conhecimento”, declarou Roland Lumumba, filho do líder, sublinhando que milhões de pessoas em África e no mundo aguardam por este esclarecimento.
Vestígios e Reparação
O caso é marcado por detalhes perturbadores, como o facto de o único resto mortal conhecido de Lumumba — um dente guardado por décadas por um agente belga — ter sido devolvido à RDC apenas em 2022. A decisão sobre o julgamento de Davignon deverá ser tomada nas próximas semanas, reacendendo o debate sobre a responsabilidade moral da Bélgica nos crimes cometidos durante o período colonial.




