Por que o terrorismo escalou após o fim da ProIndicus? Rosário responde ao CanalMoz – Times de Todos

Em declarações recentes ao jornal CanalMoz, António Carlos do Rosário, antigo Diretor da Inteligência Económica do SISE, estabeleceu uma conexão direta entre a instabilidade no norte de Moçambique e o fracasso dos projetos das chamadas “Dívidas Não Declaradas”. Segundo o antigo dirigente, a sabotagem destas empresas comprometeu a segurança nacional.
Uma visão estratégica e sistémica
Ao ser questionado sobre se o colapso da EMATUM, ProIndicus e MAM teria facilitado a insurgência em Cabo Delgado, Rosário explicou que estas entidades não eram meras empresas isoladas, mas sim componentes de um Sistema Integrado de Monitoria e Proteção Costeira.
De acordo com a sua análise:
- Infraestrutura de Defesa: As três empresas formavam a base tecnológica e operacional para a vigilância marítima.
- Capacidade de Resposta: O sistema incluía centros de comando, embarcações de patrulha, logística avançada e integração de sistemas de inteligência.
- Vigilância da Zona Económica Exclusiva: A arquitetura visava proteger os corredores marítimos estratégicos e a costa norte do país.
O “Vazio Operacional” e a Escalada do Conflito
António Carlos do Rosário argumenta que o desmantelamento destas empresas, motivado por pressões políticas e asfixia financeira, deixou a costa de Cabo Delgado vulnerável. Para o antigo responsável, a falta de controlo marítimo foi o “tapete vermelho” para os insurgentes.
Impactos diretos apontados:
- Exposição de Rotas: Sem a patrulha das empresas, as rotas marítimas ficaram abertas para o tráfico de armas, combustível e o desembarque de combatentes estrangeiros.
- Perda de Soberania Tecnológica: O Estado perdeu a capacidade de monitorar fluxos financeiros e movimentos clandestinos no mar.
- Relação de Causa e Efeito: Rosário defende que não é coincidência a violência ter escalado logo após a paralisia do sistema de proteção costeira; para ele, a perda do controlo no mar resultou inevitavelmente na perda de controlo territorial em terra.
Em suma, a tese defendida pelo antigo operacional do SISE é que a fragilização da arquitetura de segurança marítima, sob o pretexto de contestação aos projetos, foi o fator determinante para a consolidação dos grupos terroristas na região.




