Economia

Rosário revela bastidores da sua nomeação na Proíndicus – Times de Todos

MAPUTO – Novas informações trazidas a público pelo antigo oficial de inteligência, António Carlos do Rosário, revelam os bastidores da criação das empresas ligadas ao processo das dívidas ocultas. Em entrevista ao Canal de Moçambique, Rosário afirmou ter sido pressionado diretamente pelo então Presidente da República, Filipe Nyusi, para liderar a empresa Proíndicus, contra a sua vontade inicial.

Pressão em Reunião de Alto Nível

Rosário descreve um encontro crucial no Ministério das Finanças, destinado a aprovar o financiamento do Sistema Integrado de Monitoria e Proteção (SIMP). Segundo o ex-diretor, Nyusi abandonou as suas obrigações no Ministério da Defesa para conduzir pessoalmente a reunião, que contou com a presença de figuras como Manuel Chang, Alberto Mondlane e Gregório Leão.

O relato detalha os seguintes pontos:

  • Recusa Inicial: Rosário defendeu que a gestão das empresas deveria ser entregue a quadros com qualificações técnicas específicas e não a si.
  • Substituição de Comando: Inicialmente, o Coronel Matlaba (da área da Defesa) tinha sido indicado para o cargo, mas a escolha acabou por recair sobre Rosário após intervenção presidencial.
  • Intervenção Direta: Durante a sessão, o presidente terá confrontado Rosário perante os demais ministros, interpretando a sua relutância como “medo”, o que culminou na aceitação forçada do cargo de PCA sob pressão política.

Dinâmicas de Poder no Estado

Estas declarações sugerem que as nomeações para cargos estratégicos em empresas públicas moçambicanas não seguiram critérios puramente técnicos, mas foram moldadas por decisões políticas de topo. A revelação expõe a fragilidade da autonomia administrativa perante a interferência direta do executivo em instituições de segurança e inteligência.

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