Economia

Fundo Soberano de Moçambique Rende Mais de 1 Milhão de Dólares Enquanto Aguarda Luz Verde do Governo para Investimentos – Times de Todos

Três meses após a transferência dos capitais oriundos do gás natural para a gestão operacional do Banco de Moçambique, a instituição central continua a aguardar a aprovação oficial do Governo para começar a aplicar o dinheiro do recém-criado Fundo Soberano de Moçambique (FSM) de forma efetiva nos mercados financeiros internacionais.

​A informação foi tornada pública através do Relatório Trimestral de Gestão do FSM, divulgado na última sexta-feira (15). A publicação deste documento obedece rigorosamente ao artigo 29 da Lei n.º 1/2024, de 9 de janeiro, que instituiu o Fundo. A legislação obriga o Gestor Operacional a apresentar relatórios de desempenho trimestrais no prazo de 30 dias após o fim de cada trimestre, devendo estes ser publicados 15 dias após a sua submissão ao Executivo.

À Espera do Plano Diretor de Investimento

​Segundo os dados do relatório, referentes ao período encerrado a 31 de março, o Banco de Moçambique submeteu o Plano Diretor de Investimento ao Ministério das Finanças e aguarda a sua aprovação. Este instrumento é crucial, pois é ele que dita as regras do jogo: define a estratégia de alocação de ativos, a composição das carteiras de investimento e os limites de risco permitidos.

​Para garantir que o dinheiro não fica estagnado enquanto o plano não avança, o Banco Central optou por uma abordagem cautelosa. Os fundos estão a ser aplicados em depósitos do tipo overnight — operações financeiras de curtíssimo prazo, contratadas para um único dia útil com resgate automático no dia seguinte.

​Esta estratégia está a ser executada junto de três gigantes financeiros internacionais: o Bred Banque Populaire (França), o The Toronto-Dominion Bank (Canadá) e o Sumitomo Mitsui Trust Bank, Ltd. (Japão). Segundo o regulador, esta tática assegura “liquidez, preservação de capital e rentabilidade”, evidenciando uma trajetória estável que poderá, no futuro, sofrer as oscilações normais quando ocorrer a diversificação das carteiras.

Lucros Disparam no Primeiro Trimestre

​Apesar de a estratégia de investimento estar numa fase conservadora, os resultados financeiros do primeiro trimestre do ano são altamente positivos.

  • Lucro Líquido: O Fundo Soberano gerou um resultado líquido de 1.059.438,82 USD. Se compararmos com o mês de dezembro do ano passado (onde o lucro foi de 210.589,11 USD), regista-se um salto expressivo de 403,1%.
  • Ativos Totais: O valor global dos ativos do FSM fixou-se em 117.406.060,21 USD.
  • Capitais Próprios: Encerraram o trimestre avaliados em 117.402.268,00 USD.

Crescimento Impulsionado pelo Gás Natural

​Comparativamente ao último dia do ano de 2025, os ativos globais do Fundo cresceram 6,6% (um aumento de 7.221.613,58 USD). Esta evolução resulta diretamente da injeção de receitas da produção de Gás Natural Liquefeito (GNL), que somaram 6.159.977,44 USD, aliadas aos juros capitalizados pelas aplicações overnight.

​Os capitais próprios acompanharam este crescimento de 6,6% (mais 7.219.333,14 USD), suportados igualmente pelos encaixes do GNL.

Passivos e Despesas Operacionais

​Do lado das responsabilidades, o total de passivos registou um aumento de 173,8% (o equivalente a 2.280,45 USD). Este valor deve-se à contabilização de adiantamentos feitos pelo Banco de Moçambique para cobrir as despesas iniciais do Fundo.

​Ao longo destes primeiros três meses, o Gestor Operacional reportou despesas no valor total de 3.123,95 USD. Este montante foi alocado da seguinte forma:

  • 1.494,91 USD: Para o fornecimento e montagem de material visual do Fundo Soberano;
  • 1.629,04 USD: Custos de manutenção de contas referentes ao exercício de 2026.

​Uma vez que estes pagamentos foram integralmente adiantados pelo Banco Central, o Fundo Soberano encontra-se, neste momento, em dívida para com o seu Gestor Operacional na mesma proporção.

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