TMCEL corre o risco de bater as botas, alerta auditoria independente – Times de Todos

O futuro da Moçambique Telecom (TMCEL) volta a ser motivo de preocupação, após o auditor independente contratado para avaliar as contas da empresa alertar para sinais de que a operadora pública poderá não ter condições de sustentar as suas actividades sem novo apoio estatal ou eventual declaração de insolvência.
O Relatório e Contas de 2024, aprovado em Maio, mostra que a TMCEL encerrou o ano com um prejuízo de 4.441.571.190 meticais, mais que o dobro das perdas registadas em 2023, quando o resultado negativo foi de 2.130.101.975 meticais. A situação financeira agravou-se ainda mais com a existência de capital próprio negativo de 14.563.924.983 meticais, influenciado pelos prejuízos acumulados, que totalizam 28.639.631.465 meticais.
Os números mostram também que, até 31 de dezembro de 2024, o passivo corrente superava o activo corrente em 19.773.327.982 meticais, um aumento face ao ano anterior.
Apesar deste cenário, a Comissão de Gestão da TMCEL acredita que a empresa tem condições para continuar a operar nos próximos 12 meses. O órgão argumenta que as medidas internas em curso e as projecções para os próximos períodos permitem sustentar o princípio de continuidade das operações.
Contudo, a Ernst & Young, responsável pela auditoria, apresenta uma avaliação diferente. Para a firma, os indicadores actuais representam uma “incerteza material” quanto à capacidade da TMCEL de manter a actividade normal sem apoio directo do Estado ou geração de resultados positivos no futuro. A empresa auditora chama ainda a atenção para a perda de mais de metade do capital social, o que coloca a instituição na situação prevista no artigo 98 do Código Comercial, exigindo a adopção de medidas urgentes.
A Ernst & Young sublinha também que a TMCEL tem acumulado resultados operacionais negativos ao longo dos anos, o que sugere a possível imparidade dos seus activos. Nos termos das normas contabilísticas nacionais, a operadora deveria ter realizado testes de imparidade, mas, segundo o auditor, os documentos referentes a esses testes não foram apresentados.
Sem estes elementos, a auditoria não conseguiu confirmar se o valor recuperável dos activos supera o valor registado na contabilidade: 19.820.374.589 meticais em activos fixos tangíveis e 1.273.485.695 meticais em activos intangíveis.
A firma refere ainda a falta de documentação suficiente sobre vários itens das demonstrações financeiras, incluindo mais de 2,6 mil milhões de meticais em receitas, um acréscimo de rédito relacionado com serviços de telecomunicações e montantes diferidos na rubrica de outros passivos, impossibilitando conclusões sobre esses valores.
A TMCEL, criada a partir da fusão entre TDM e Mcel em 2018, está sob gestão de uma Comissão de Gestão desde maio de 2023, após a saída do anterior Conselho de Administração liderado por Mahomed Rafique Jusob.




