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Crise explode na ANAMOLA e ameaça implodir partido de Venâncio Mondlane – Times de Todos

A Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), formação política liderada pelo antigo candidato presidencial Venâncio Mondlane, atravessa uma fase de forte instabilidade interna que, segundo analistas, pode comprometer seriamente a sua coesão e sustentabilidade política. A crise é marcada por confrontos internos, contestações, acusações públicas e um número crescente de abandonos dentro e fora do país.

O partido, oficialmente registado em agosto de 2025, surgiu como uma alternativa política no período pós-eleitoral, defendendo reformas estruturais no sistema político, incluindo a revisão constitucional e a modernização das regras eleitorais, com foco na transparência e participação cidadã. Num curto espaço de tempo, conseguiu atrair simpatizantes em várias regiões do país e estruturar órgãos locais em diversos distritos.

No entanto, o crescimento acelerado começou a expor fragilidades organizacionais. Divergências internas sobre critérios de escolha de candidatos, falta de comunicação clara e alegadas decisões arbitrárias por parte da liderança desencadearam um ambiente de descontentamento, sobretudo em províncias estratégicas como Nampula e Cabo Delgado.

A situação agravou-se com uma onda de demissões simultâneas de membros e dirigentes provinciais. Só em Cabo Delgado, pelo menos sete quadros abandonaram o partido, enfraquecendo a sua presença em zonas como Pemba, Chiúre, Montepuez e Metuge. Alguns dos desertores anunciaram a sua filiação a outras formações políticas, incluindo a Nova Democracia, jurando lealdade ao seu líder, Salomão Muchanga.

Entre os casos mais emblemáticos está o de Celso Carlos Chambeze, antigo coordenador-geral da ANAMOLA na África do Sul, considerado uma das figuras-chave da mobilização da diáspora. Após renunciar ao cargo, Chambeze passou a ser alvo de acusações internas, incluindo alegações de desvio de fundos estimados em cerca de 30 mil dólares, acusações que, segundo fontes, visam fragilizar a sua imagem pública. Na sua carta de renúncia, o ex-dirigente justificou a saída com a necessidade de proteger a sua reputação pessoal e familiar, denunciando a ausência de resposta da direção às suas preocupações.

Analistas políticos ouvidos consideram que o partido não adotou a devida cautela no processo de recrutamento, permitindo a entrada de membros sem critérios rigorosos, o que teria aberto espaço para conflitos internos e infiltrações. Para o sociólogo Elísio Macamo, as saídas sucessivas colocam em causa a capacidade organizacional da liderança e revelam fragilidades na gestão política do projeto.

Há ainda denúncias de campanhas internas de descredibilização, com a criação de contas falsas nas redes sociais, alegadamente ligadas ao gabinete de propaganda do partido, usadas para atacar dissidentes e críticos. Também surgiram acusações não comprovadas envolvendo financiamento externo e alegados apoios provenientes de estruturas ligadas à Frelimo, acusações rejeitadas por alguns dos visados.

Apesar do cenário adverso, Venâncio Mondlane minimiza a gravidade da crise, defendendo que a identificação precoce dos problemas representa uma oportunidade para corrigir erros, reforçar a organização interna e sarar feridas. Para o líder da ANAMOLA, o momento deve ser encarado como parte natural do processo de consolidação de uma nova força política no panorama nacional.

Ainda assim, o ambiente de tensão, as deserções em massa e as acusações cruzadas alimentam o debate sobre a maturidade política do partido e levantam dúvidas sobre a sua capacidade de se afirmar como alternativa sólida no xadrez político moçambicano.

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