Ministério paga quase 500 milhões por documentário “fantasma” – Times de Todos

Um contrato no valor de aproximadamente K 485.526.810, celebrado pelo Ministério da Água e Saneamento do Malawi para a produção de um documentário sobre melhorias no sistema nacional de abastecimento de água, está no centro de uma crescente controvérsia pública. Meses após o pagamento do montante, o vídeo continua por apresentar.
Documentos oficiais consultados pelo O Destaque revelam que o contrato foi adjudicado à empresa CG Communications. As entidades fornecedoras de água foram instruídas a disponibilizar um adiantamento correspondente a 30% do total — cerca de K 145.658.043 — para a arrancada do projeto. Cada uma teria de contribuir com aproximadamente K 24.276.340,50.
“Tenho o prazer de informar que o Ministério adjudicou este contrato à CG Communications pelo valor total de MK 485.526.810,00”, refere uma nota assinada por Elias Chimulambe, Secretário de Água e Saneamento. A equipa selecionada para o projeto incluía Joab Frank Chakhaza (Comunicação Estratégica), Luke Tembo (Produção de Media), Gospel Kazako (Políticas de Media) e Gabriel Kamlomo (Argumentista).
Contudo, o atraso na divulgação do documentário tem alimentado indignação nas redes sociais malawianas. “Para que foi exatamente pago meio bilião de kwachas?”, questionou um utilizador no Facebook, refletindo a frustração de milhares de cidadãos que exigem uma auditoria e esclarecimentos por parte das autoridades que aprovaram o contrato.
Até ao momento, não há posição oficial sobre a demora na execução do projeto ou sobre o destino dos fundos já desembolsados. O caso reaviva o debate sobre a necessidade de maior transparência e responsabilização na gestão de recursos públicos no Malawi.
Fonte: O Destaque




