Moçambique perdeu a confiança da comunidade internacional, diz Shafee Sidat – Times de Todos

Durante o Fórum Nacional sobre Paz e Reconciliação, realizado recentemente, o edil de Marracuene, Shafee Sidat, alertou para a atual situação económica e social de Moçambique, destacando a perda de confiança da comunidade internacional como resultado de erros internos e políticas públicas inadequadas.
“A comunidade internacional perdeu a confiança em nós, porque eles fazem e nós destruímos”, afirmou Sidat, referindo-se à incapacidade do país em transformar a ajuda externa e os investimentos em resultados concretos para a população e a economia.
O dirigente criticou as lideranças atuais por “pensarem dentro da caixa”, adotando políticas que, segundo ele, agravaram o quadro social e económico do país. “Hoje temos um tecido social destruído, infraestruturas e indústrias arruinadas, economias locais em colapso e um povo que perdeu a confiança no Estado”, afirmou.
Sidat acrescentou que a destruição não é apenas física ou administrativa, mas também afeta a capacidade do país de gerar receitas, atrair investimentos e manter a população economicamente ativa.
O edil destacou ainda o papel estratégico das parcerias público-privadas e das alianças comunitárias, defendendo que são essenciais para mobilizar capital num contexto de reservas externas limitadas. Criticou também o valor de 5 milhões de dólares exigido para a obtenção da nacionalidade moçambicana por dez anos, considerando-o injusto quando comparado com países como Portugal, que exige apenas 250 mil euros, o que, segundo ele, prejudica a confiança dos investidores.
Abordando a gestão das comunidades locais nas negociações de investimento, Sidat sublinhou que as alianças comunitárias são fundamentais para uma reconstrução legítima e sustentável, mas advertiu sobre a existência de interesses desproporcionados que comprometem o sucesso dos projetos. Propôs a criação de políticas diferenciadas que permitam equilibrar os interesses e assegurar que os investimentos tragam benefícios reais para a economia e a população.
“A chave está na combinação de planeamento estratégico, compromisso ético e vontade de fazer, para gerar emprego, atrair investimentos e consolidar alianças público-privadas”, referiu Sidat.
Como solução para restaurar a confiança internacional e dinamizar o país, o edil defendeu a reconstrução de infraestruturas destruídas, a revitalização do tecido empresarial local, o financiamento inovador e uma gestão eficiente dos recursos públicos.
Na parte final da sua intervenção, Shafee Sidat sublinhou que Moçambique tem potencial para superar décadas de políticas equivocadas, desde que haja responsabilidade interna e melhor gestão pública.
“Os governantes devem libertar-se das cadeias mentais e pensar fora da caixa, senão a juventude nos cobrará amanhã”, concluiu.




