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Influenciadora do Mali é morta por supostos jihadistas durante transmissão ao vivo no TikTok – Times de Todos

Mariam Cissé, de 22 anos, foi sequestrada e executada publicamente após ser acusada de colaborar com o exército malinês.

Uma tragédia chocante abalou o Mali neste mês, quando a jovem influenciadora Mariam Cissé, de 22 anos, foi sequestrada e morta por supostos jihadistas enquanto fazia uma transmissão ao vivo no TikTok. Cissé, que tinha mais de 100 mil seguidores na plataforma, era conhecida por partilhar vídeos sobre o quotidiano, dança e culinária, além de manifestar apoio às forças armadas malianas.

De acordo com informações divulgadas pela AFP, Mariam foi raptada no dia 6 de novembro numa feira em Tonka, região de Timbuktu, enquanto transmitia em direto. Testemunhas disseram que os sequestradores a acusaram de colaborar com o exército, denunciando os movimentos dos grupos armados através das redes sociais.

Um dia depois, a jovem foi levada de moto até a Praça da Independência, em Tonka, onde foi executada a tiros em público, diante de centenas de pessoas — incluindo membros da sua própria família.

“Minha irmã foi presa na quinta-feira pelos jihadistas. Eles a acusaram de informar o exército do Mali sobre os movimentos deles”, declarou o irmão de Cissé à AFP.

Outra fonte confirmou que Mariam foi acusada de gravar vídeos que poderiam ter revelado informações militares, acrescentando que o assassinato foi “um ato bárbaro e cruel”.

Segundo o Free Press Journal, Mariam Cissé por vezes aparecia nos vídeos com roupas inspiradas em uniformes militares, gesto que simbolizava solidariedade às tropas malianas que combatem os grupos extremistas desde 2012. Numa das suas publicações, a jovem escreveu: “Vive Mali” (“Viva o Mali”).

Apesar disso, a maior parte do conteúdo partilhado pela influenciadora retratava aspectos simples da vida quotidiana, como danças, receitas e momentos em família. O Times of India descreveu-a como “uma jovem de personalidade afável, muito amada pela comunidade”.

A morte de Mariam ocorre num contexto de agravamento da crise humanitária e de segurança no Mali, onde bloqueios impostos por grupos jihadistas dificultam o acesso a combustível e bens essenciais. O país enfrenta o encerramento de escolas e universidades desde outubro, e o governo prometeu “fazer todo o possível para restaurar a normalidade”.

A União Africana (UA) condenou o assassinato e expressou profunda preocupação com a deterioração da segurança no Mali. O presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, lamentou os “ataques deliberados contra civis inocentes” e garantiu que a organização está pronta para apoiar o país e as nações do Sahel neste momento crítico.

A execução de Mariam Cissé evidencia os riscos enfrentados por civis e criadores de conteúdo em zonas de conflito, onde a liberdade de expressão pode custar a vida.

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