Auditoria revela desvio de 48 milhões de meticais em serviços de tradução falsos – Times de Todos

A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) suspendeu o diretor financeiro e quatro quadros seniores após uma auditoria interna identificar um esquema de desvio de 48 milhões de meticais, por meio de faturas fraudulentas relacionadas à tradução de documentos jurídicos. A decisão integra o processo de reestruturação da companhia, com apoio direto do Governo e aval político do Presidente Daniel Chapo, que estabeleceu a moralização das empresas públicas como prioridade nos primeiros 100 dias de governação.
Fontes ligadas à investigação revelam que uma empresa fantasma era usada para inflacionar os custos de tradução. O trabalho real ficava a cargo de uma tradutora juramentada, remunerada com valores reduzidos, enquanto a maior parte dos recursos era desviada para funcionários dos departamentos jurídico e financeiro. O diretor financeiro suspenso é irmão de um membro do Governo, o que indica como o nepotismo e as alianças políticas protegiam a rede.
O Presidente Chapo já havia alertado, durante o discurso dos 100 dias em abril de 2025, sobre a necessidade de reestruturar empresas públicas e eliminar conflitos de interesse: “Dentro da nossa empresa há pessoas com conflitos de interesse (…) vamos reestruturar e enviar alguns para casa para deixarem o país trabalhar.” A Comissão de Gestão da LAM agiu agora com autonomia inédita, sem interferências políticas, para desmantelar o esquema.
Durante anos, a LAM foi vista como um exemplo de impunidade institucional, com contratos superfaturados, leasing de aeronaves por intermediários próximos ao poder e viagens de luxo pagas com dinheiro público. A diferença agora é que a gestão atua com respaldo direto do Governo e do Presidente, promovendo uma separação mais clara entre poder político e administração empresarial.
A suspensão dos quadros e a abertura da investigação marcam o início de um processo que poderá se estender a outras empresas públicas, como Petromoc e Tmcel, onde há denúncias de práticas semelhantes. A Comissão de Gestão planeja encaminhar os resultados da auditoria ao Ministério Público, pavimentando o caminho para responsabilização criminal dos envolvidos.
Segundo um alto quadro do setor, “A LAM era o espelho da promiscuidade entre negócios e política. O que está a acontecer é uma ruptura real.” Como concluiu uma fonte do Conselho de Administração: “O tempo em que as raposas controlavam o galinheiro acabou. Desta vez, o Presidente está a ver e a mandar limpar.”




