Alberto Chipande, Armando Guebuza, Filipe Nyusi e Graça Machel são os detentores do Poder Político e Económico do País, apadrinhados pelo FMI e Banco Mundial

O aclamado jornalista e académico britânico Joseph Hanlon lançou um ataque contundente contra a elite política e económica de Moçambique, alegando que “os libertadores se tornaram oligarcas com o patrocínio do FMI e Banco Mundial”. A denúncia é o cerne de um novo livro de 354 páginas, no qual Hanlon aponta nominalmente figuras proeminentes da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), incluindo ex-presidentes e membros da cúpula do partido.
Na sua investigação, que tem ecoado fortemente no debate público moçambicano, Hanlon identifica um grupo central de figuras que detêm o poder político e económico do país. Entre os citados estão Alberto Chipande, Raimundo Pachinuapa, Armando Guebuza, Graça Machel e o atual Presidente, Filipe Nyusi.
O académico descreve um processo onde a corrupção e a acumulação de riqueza por esta “nova nomenclatura” foram facilitadas e, em parte, induzidas pela acção do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) desde o reconhecimento da corrupção pelo FMI em 2004.
De Combatentes a “Oligarcas”
A tese central de Hanlon, detalhada no seu livro, sugere que as instituições de Bretton Woods permitiram a ascensão de uma elite oligárquica ao exigirem políticas de “terapia de choque” que favoreceram a acumulação de activos por parte deste grupo restrito, denominado por ele como “oligarcas”.
Segundo o autor, “a nova nomenclatura inclui ex-combatentes que usam as suas posições para enriquecer, membros da Frelimo que se apoiaram mutuamente para ascender, e até diplomatas e a aristocracia nacionalista”. O patrocínio do FMI e do BM teria sido um catalisador decisivo, com o FMI a “criar” os oligarcas moçambicanos, que, por sua vez, seriam “os responsáveis pelo ‘saque’ e miséria do país”.
Conexões e Acusações Específicas
Hanlon detalha ainda que, em Moçambique, ser bem-sucedido nos negócios requer “tanto poder político como económico, e estes dois vêm dos meados ou patronos seniores do partido”. Ele indica que o primeiro a beneficiar do novo processo foi Joaquim Chipande, um dos primeiros a enriquecer durante a transição, seguido por uma rede de generais e figuras de alto escalão.
A investigação de Hanlon, construída com base em mais de 354 páginas de evidências (documentos e testemunhos), aponta directamente para uma oligarquia com raízes nos ex-combatentes, seus filhos e familiares, que agora detêm o poder económico e o controle de sectores chave como as concessões mineiras, que exigem poder político para serem obtidas.
Apesar da importância do livro, que promete agitar o cenário político e económico moçambicano, o governo e as figuras citadas ainda não emitiram uma resposta oficial às graves acusações de Joseph




