UGPK defende transparência nos diamantes, mas mantém sigilo sobre ouro e rubis

A Unidade de Gestão do Processo Kimberley (UGPK), criada para assegurar transparência no comércio de diamantes, ouro, rubis e outros minerais estratégicos de Moçambique, está a ser acusada de operar em total opacidade, em violação da legislação nacional e dos compromissos internacionais assumidos pelo país.
O objetivo da instituição era certificar diamantes com padrões internacionais, garantindo que Moçambique pudesse exportá-los de forma credível e legal. Contudo, enquanto procura projetar essa imagem de transparência no exterior, internamente a UGPK é criticada por manter uma gestão obscura, sem relatórios públicos, sem dados disponíveis e sem mecanismos de prestação de contas.
O contraste levanta uma questão central: como pode o país defender transparência internacional na certificação de diamantes e, ao mesmo tempo, ocultar informações sobre o ouro e os rubis que já são explorados em larga escala? Essa contradição, segundo analistas, expõe o Estado a riscos elevados de corrupção, perdas fiscais milionárias e até possíveis sanções externas.
Este cenário coloca Moçambique diante de um dilema estratégico. Experiências de outros países mostram caminhos distintos: no Botswana, a gestão transparente dos diamantes impulsionou o desenvolvimento económico, enquanto na República Democrática do Congo a opacidade na exploração de recursos alimentou corrupção e fragilizou as instituições.
O caso da UGPK não é apenas um problema técnico de certificação mineral, mas um debate de fundo sobre soberania, justiça fiscal e credibilidade internacional. Resta saber se Moçambique continuará a manter os seus recursos naturais sob um manto de segredo ou se dará o passo necessário para que a riqueza mineral brilhe também sob o olhar do escrutínio público.




