sociedade

Macaneta resiste às cheias graças à barreira de pneus de avião – Times de Todos

Em Macaneta, sul de Moçambique, cerca de 13 mil pneus reciclados, incluindo pneus de avião, estão sendo utilizados para proteger comunidades e resorts ao longo das margens do rio Incomáti, prevenindo erosão e assoreamento durante enchentes recentes.

Clausêncio Ngovene, educador ambiental da Cooperativa Repensar, em Maputo, explicou à Lusa que a iniciativa busca transformar materiais descartados em soluções práticas: “A ideia é reutilizar pneus em vez de queimá-los ou descartá-los em locais inadequados, aplicando-os de forma útil para conter a erosão.”

Os pneus, provenientes de automóveis, tratores, empilhadeiras, máquinas industriais e doações de entidades como o Porto de Maputo e o Aeroporto Internacional de Maputo, são preenchidos com entulho para resistir à força da água e formar uma barreira ao longo da orla de Macaneta. A maior parte do trabalho é realizada manualmente por mais de 15 membros da cooperativa, voluntários e estudantes universitários moçambicanos, transportando pneus que podem pesar até 500 quilos.

O projeto, iniciado em 2021 no âmbito do programa Macalinda, surgiu após estudos ambientais identificarem o agravamento da erosão e do assoreamento em áreas costeiras e estuários de Macaneta. Mesmo sem maquinário adequado, a equipe da Repensar seguiu montando a barreira, considerada mais sustentável e resistente ao desgaste natural.

Segundo Ngovene, os pneus impediram que a erosão e o assoreamento avançassem, protegendo o acesso das comunidades e resorts e evitando a intrusão de água salgada, que poderia prejudicar o abastecimento de água potável e a agricultura local.

“A cada dia, conseguimos instalar mais de 30 pneus pequenos, 20 médios e até seis gigantes, que exigem pelo menos sete pessoas para serem movimentados. É um trabalho árduo, mas o objetivo é maior do que o esforço físico”, afirmou o educador ambiental.

O projeto também contempla a proteção de manguezais e o plantio de vegetação jovem, criando sombra para pescadores e moradores. As enchentes de janeiro, que afetaram quase 725 mil pessoas e causaram mais de 27 mortes, mostraram a eficácia da barreira, com pedidos de outras regiões e municípios interessados em replicar a iniciativa.

Ngovene concluiu destacando que o maior prêmio é o benefício direto para as comunidades: “O trabalho só termina quando a vegetação estiver completamente restaurada. Ver as pessoas continuarem a acessar suas áreas sem problemas é a maior recompensa.”

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo