Jovem prodígio cria rádio, ganha bolsa de estudos para o exterior, mas orfanato desvia a oportunidade. – Times de Todos

Uma história de talento excecional, ofuscada por uma grave denúncia de injustiça, está a comover a província de Sofala. Miguel Valério, um jovem residente no Bairro Central da cidade do Dondo, revelou como o seu sonho de estudar no exterior foi destruído pelo centro de acolhimento que o albergava.
O relato dramático foi partilhado nesta quinta-feira, durante uma entrevista concedida ao programa televisivo Tarde Única, conduzido pelo apresentador José Jordane.
Talento Precoce: Técnico Desde os 7 Anos
A trajetória de Miguel é marcada pela superação e pelo trabalho árduo. O jovem contou que a sua paixão pela tecnologia começou muito cedo, revelando que trabalha como técnico de reparação de eletrodomésticos desde os seus tenros 7 anos de idade. Graças a essa dedicação extrema, conseguiu acumular uma vasta e invejável experiência prática na área.
O Invento e a Primeira Bolsa Desviada
A reviravolta na sua vida começou em 1999, quando deu entrada num centro de acolhimento para crianças órfãs, situado na cidade da Beira. O seu talento inato atingiu o pico em 2002, altura em que conseguiu o feito notável de criar, pelos seus próprios meios, uma estação de rádio funcional.
A invenção chamou a atenção do Instituto de Comunicação, que decidiu premiar o jovem prodígio com uma bolsa de estudos para prosseguir a sua formação fora do país. No entanto, o sonho transformou-se em pesadelo: Miguel denunciou que a direção do orfanato onde residia manobrou a situação, fazendo com que ele perdesse o direito à bolsa de estudos, que acabou por ser desviada.
Segunda Oportunidade Sabotada pelo Centro
A crueldade da situação não se ficou por aqui. No mesmo ano de 2002, o então Governador da província de Sofala, Felício Pedro Zacarias, tomou conhecimento do brilhantismo de Miguel Valério e manifestou o desejo de lhe oferecer uma segunda bolsa de estudos.
Contudo, a oportunidade voltou a ser bloqueada pelo mesmo centro de acolhimento. A instituição intercedeu junto do Governador, alegando falsamente que o jovem já havia sido contemplado com uma bolsa e que, por essa razão, não poderia acumular outra. Como resultado das manobras do orfanato, o jovem inventor acabou por ficar de mãos a abanar, sem acesso a nenhuma das duas oportunidades que conquistou por mérito próprio.




