sociedade

Funcionários sem salário há 6 meses acusam Manuel de Araújo de desviar receitas em Quelimane – Times de Todos

​Trabalhadores do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane (CMCQ), na província da Zambézia, levantaram graves acusações contra o presidente da autarquia, Manuel de Araújo. O edil está a ser apontado pelos próprios funcionários por alegada má gestão financeira e suposto desvio sistemático de receitas públicas.

Seis Meses Sem Vencimento e Suspeitas de Desvio

​O clima de revolta e as denúncias ganharam força devido ao agravamento de uma crise interna: os trabalhadores enfrentam um dramático atraso salarial que já se prolonga por seis meses. De acordo com os queixosos, parte substancial dos valores arrecadados diariamente pela edilidade não está a dar entrada nos cofres da instituição, o que faz adensar as suspeitas de graves irregularidades financeiras.

​Celestino Albano, um dos funcionários lesados, apelou à intervenção urgente das autoridades de justiça. O trabalhador exige que o Gabinete de Combate à Corrupção avance com uma investigação profunda ao destino dos fundos, com especial foco nos valores gerados pelo setor dos transportes públicos municipais. “Não vou esconder, meu irmão, as nossas receitas estão a ser desviadas, o município não está a saber gerir”, denunciou.

O Paradoxo das Viagens Constantes

​A indignação é partilhada por Sérgio Lucas, outro funcionário da autarquia, que questiona abertamente a origem do dinheiro que tem financiado as constantes deslocações de Manuel de Araújo, tanto para o interior como para o exterior de Moçambique.

​“Queremos perceber esta jogada do presidente de andar a viajar a toda a hora. De onde sai o dinheiro para cobrir as despesas das viagens, se ele diz que o município não tem dinheiro e nós estamos há seis meses sem receber salário?”, questionou, sublinhando o contraste entre a falta de fundos para ordenados e a agenda internacional do autarca.

A Resposta da Edilidade

​Confrontado com o peso das acusações, Carlos Jackson, chefe do gabinete de Manuel de Araújo, optou por uma postura cautelosa, não confirmando nem desmentindo as alegações de desvio de fundos.

​O responsável garantiu, no entanto, que os órgãos de fiscalização estão a par da situação e a realizar o seu trabalho para apurar a veracidade dos factos. “Nós estamos abertos para tudo aquilo que é a contribuição para o Conselho Municipal. Temos várias visitas do Tribunal Administrativo e da Inspeção no sentido de trabalhar connosco para corrigir e melhorar a governação municipal”, concluiu Jackson. (Com informações do Ikweli / Hermínio Raja).

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo