Nuvunga Denuncia Esquadrões da Morte Após Assassinato de Militante em Gaza – Times de Todos

O espetro da violência política volta a assombrar Moçambique após o assassinato a tiro de Pedro Chauke, militante do partido da oposição ANAMOLA, liderado por Venâncio Mondlane. O homicídio ocorreu na passada sexta-feira (15 de maio), na localidade de Mucambene, no distrito de Massangena, província de Gaza.
A vítima foi executada no interior da sua própria casa. Após o crime, os atiradores colocaram-se em fuga levando a viatura de Chauke. Contudo, testemunhas no local asseguram que o roubo do carro foi apenas uma manobra de diversão deliberada para encobrir um assassinato cujas motivações, garantem, são estritamente políticas.
O caso reacende o alerta sobre a falta de segurança para quem faz oposição no país. Em entrevista à DW África, Adriano Nuvunga, diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), não hesitou em classificar o homicídio como “um crime organizado perpetrado por esquadrões da morte”. Mais grave ainda, o professor universitário acusa as altas “esferas do poder” de programarem e coordenarem estes grupos de extermínio.
Um “Estado Criminalizado” e a Cultura do Medo
Questionado sobre os níveis atuais de intolerância política, Nuvunga traçou um cenário alarmante. Para o diretor do CDD, Moçambique não sofre apenas de um défice democrático, mas transformou-se num “Estado criminalizado”, onde a máquina estatal é instrumentalizada por quem governa para abater adversários políticos.
Nuvunga recorda que a atuação de esquadrões da morte a soldo do poder não é um fenómeno inédito. Historicamente, estas ações cíclicas visavam os membros da RENAMO. Hoje, o alvo mudou. “Estão a mandar matar para destruir a infraestrutura política do ANAMOLA”, frisou.
O objetivo central destas execuções, segundo o ativista, passa por espalhar o terror e instaurar uma profunda “cultura de medo”. A intenção é assustar e intimidar qualquer cidadão moçambicano que pondere filiar-se ou participar ativamente na vida política através de partidos da oposição, com especial foco no ANAMOLA.
A Captura da Justiça e a Impunidade Total
Face a um cenário de execuções políticas, a inação do sistema de justiça moçambicano foi também alvo de duras críticas. Adriano Nuvunga denuncia que as instituições judiciais, destacando a Procuradoria, encontram-se totalmente “capturadas pelo poder”.
Esta submissão institucional reflete-se na forma como os casos são tratados: o professor revela que existem processos que ficam paralisados, outros que simplesmente desaparecem, havendo até situações em que as autoridades se recusam a aceitar queixas relacionadas com violência política e milícias.
O resultado, conclui Nuvunga, é um clima de impunidade absoluta no que toca aos direitos humanos, permitindo que barbaridades continuem a ser cometidas por um “Estado criminalizado” sem que ninguém seja chamado a prestar contas.
(Com informações da DW África).




