Suspeitas de desvio de donativos do INGD resultam em revolta popular com um morto e quatro feridos

Uma distribuição de donativos do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), no distrito de Muecate, província de Nampula, terminou em tragédia após alegações de desvio de produtos alimentares destinados às vítimas do Ciclone Jude. O episódio resultou em uma revolta popular que causou um morto e quatro feridos.
Segundo informações recolhidas, no dia 10 de setembro de 2025, a presidente do INGD, Dra. Luísa Meque, lançou em Nampula o Programa de Assistência Humanitária, com o objetivo de apoiar famílias vulneráveis afetadas pelo ciclone. Coube ao Governo distrital de Muecate gerir e distribuir os produtos de acordo com os critérios de vulnerabilidade definidos.
Contudo, no dia 15 de outubro, quando o Governo local divulgou as listas de beneficiários, a população reagiu com indignação ao perceber que a maioria dos contemplados pertencia ao círculo de amizade e familiares de líderes comunitários e funcionários públicos, deixando de fora as famílias mais carenciadas.
A exclusão de dezenas de agregados familiares provocou grande tensão social. A fome crescente e a falta de transparência na gestão dos donativos agravaram a situação. A população exigia explicações, mas as autoridades locais mantiveram silêncio, o que acabou por alimentar o clima de descontentamento.
Durante o protesto, parte da multidão dirigiu-se aos armazéns do INGD, onde, segundo testemunhas, foram encontrados produtos alimentares armazenados sem distribuição. A Polícia foi chamada para conter a agitação, mas a intervenção degenerou em confronto. Disparos foram ouvidos, e cinco pessoas acabaram atingidas, uma delas mortalmente.
Entre os feridos encontra-se um menor de 15 anos, que foi levado ao hospital distrital, onde permanece sob cuidados médicos.
Reação da organização Koxukhuru
Em comunicado, a Koxukhuru — Humanizando a Realidade lamentou a morte e criticou a atuação das autoridades locais, acusando o Governo distrital de Muecate de negligência e má gestão dos donativos.
“Pela irresponsabilidade do Governo do distrito, que reteve os produtos por mais de um mês sem encaminhá-los às famílias necessitadas, resultou-se em uma tragédia que poderia ter sido evitada”, refere a nota.
A organização exigiu a abertura de uma investigação independente para apurar as responsabilidades tanto administrativas quanto criminais, defendendo que a atuação policial foi desproporcional e violou os direitos humanos dos cidadãos.
A Koxukhuru apelou ainda à Administração Provincial de Nampula para garantir justiça às vítimas e assegurar que os programas de assistência humanitária sejam geridos com transparência e imparcialidade.




