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“O povo dormiu junto à CNE” para impedir manipulação – Times de Todos

A Guiné-Bissau aguarda, com elevado nível de tensão e expectativa, a divulgação dos resultados oficiais das eleições presidenciais e legislativas realizadas no domingo, 23 de novembro. Enquanto isso, candidatos e eleitores manifestam posições divergentes sobre o rumo do processo eleitoral, gerando receios de eventual contestação pós-eleitoral.

Os dados definitivos devem ser apresentados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) até quinta-feira, mas duas candidaturas já se posicionam publicamente. Fernando Dias, independente apoiado pelo PAIGC e pelo PRS, afirma ter conquistado a vitória à primeira volta, assegurando que não será necessária nova ronda do escrutínio.

Já o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, pede prudência e insiste que o país deve aguardar a divulgação oficial da CNE. A candidatura do Chefe de Estado rejeita declarações prematuras e critica o que considera uma postura precipitadamente triunfalista da equipa de Fernando Dias.

Em declarações à DW África, o jornalista e analista político Sabino Santos destacou que a disputa se concentra essencialmente entre estes dois candidatos. Segundo o analista, ambas as campanhas já conhecem, de forma informal, a sua posição real na corrida eleitoral, com resultados que, em várias comissões regionais, apontam vantagem para Fernando Dias.

Santos descarta comparações com o ambiente vivido em Moçambique após as eleições de 2024, quando Venâncio Mondlane reivindicou vitória face a uma diferença de milhões de votos. Para o analista, o cenário guineense é distinto e mais equilibrado.

Sobre a possibilidade de Sissoco Embaló aceitar uma eventual derrota, Sabino Santos acredita que o Presidente não teria alternativas caso a CNE declare outro vencedor. No entanto, o clima entre a população permanece tenso.

Segundo relatos enviados à DW, há comunidades que decidiram permanecer perto das comissões regionais para vigiar a entrada e saída de material eleitoral, temendo manipulação dos resultados. Em localidades como Mansoa e Bubaque, grupos de cidadãos passaram a noite inteira junto às sedes das comissões, receando tentativas de adulteração do processo.

O ambiente pós-eleitoral permanece imprevisível. De acordo com Sabino Santos, eventuais focos de tensão dependerão diretamente da forma como a CNE divulgará e justificará os resultados. Para o analista, se Fernando Dias não for declarado vencedor à primeira volta, dificilmente aceitará ir a um segundo turno.

A Guiné-Bissau segue, assim, entre a expectativa e a vigilância popular, enquanto o país aguarda a palavra final da Comissão Nacional de Eleições.

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