Falta de salários está a criar divórcios em Nampula

Nampula – A ausência prolongada do pagamento de subsídios tem mergulhado alfabetizadores da província de Nampula em graves dificuldades financeiras, afetando diretamente a estabilidade dos seus lares. Muitos relatam que os conflitos conjugais se intensificaram e, em alguns casos, resultaram em divórcios.
Nos centros de alfabetização, o assunto é recorrente: colegas que veem suas famílias desmoronar por falta de condições básicas. Um dos casos é de Jaime Momade, alfabetizador que enfrenta discussões constantes em casa. “Não há como sustentar a família. As crianças precisam de comida, saúde e escola, mas sem subsídios tudo fica parado. Eu ainda resisto, mas o meu vizinho, também alfabetizador, foi abandonado pela esposa por causa desta situação”, contou ao Ikweli.
Outro educador, Alberto Silvestre, que trabalha no centro ligado à Escola Básica de Muecane, lamenta os impactos da crise. “O meu casamento está por um fio. As nossas mulheres perderam a paciência porque a falta de rendimentos nos deixou em dívidas. Pedimos ao governo e seus parceiros que regularizem o pagamento, porque é o nosso direito. Trabalhamos com esforço e não merecemos viver assim”, desabafou.
Também Ussene Maurício partilha da mesma preocupação, apelando ao Executivo para honrar os compromissos financeiros com os alfabetizadores e, desse modo, reforçar o combate ao analfabetismo no país.
Governo admite dívida e promete solução
A dívida com os alfabetizadores, acumulada há cerca de três anos, foi reconhecida publicamente pelo Secretário de Estado em Nampula, Plácido Pereira, que garantiu que já decorre um processo de liquidação. O governante esclareceu que a situação não se restringe a este grupo, mas atinge igualmente professores e profissionais de saúde.
“É verdade que existem dívidas com subsídios dos alfabetizadores. Estamos a efetuar pagamentos de forma gradual, à medida que a Inspeção-Geral das Finanças valida os processos. A mesma situação acontece com horas extras de médicos e professores”, afirmou Pereira.
Apesar da promessa de solução, muitos alfabetizadores relatam nunca terem recebido qualquer subsídio desde o início da atividade. A falta de pagamento já provocou desistências, sobretudo em Rapale, no posto administrativo de Namaita, onde vários facilitadores abandonaram as salas de alfabetização por falta de motivação.




