Desaparecem 11 milhões de conta de funcionário falecido no Banco Central – Times de Todos

Estariam os mortos a levantar dinheiro na Cooperativa de Poupança do Banco de Moçambique?
Família denuncia movimentação de conta do seu pai falecido e desaparecimento de mais de 11 milhões de meticais
- Conta tinha fundos até Outubro de 2017, mas parece ter sido movimentado dinheiro
- Saques ocorreram quatro anos depois da morte e há múltiplas movimentações num único dia
- Documentos reforçam suspeitas de movimentações irregulares em conta de funcionário falecido
Um funcionário falecido há quatro anos teria “movimentado” milhões, deixado a conta vazia e a família sem sequer um metical. O que parece uma história tirada de um filme de terror é real e aconteceu com a família de Carlos Basílio Muiambo, trabalhador do Banco de Moçambique durante 27 anos, até à sua morte no dia 18 de Junho de 2013.
Extratos bancários e documentos apresentados ao tribunal revelam que a conta de Muiambo tinha saldo positivo até Outubro de 2017, mas foi esvaziada em operações, sobretudo no dia 06 de Dezembro de 2017, um dia antes da emissão do extrato solicitado pelo tribunal, passando para saldo negativo, apesar de o titular ter morrido em 2013 e a conta estar formalmente bloqueada.
Os documentos reforçam as acusações da família contra o banco, a cooperativa e o sistema judicial, num caso que expõe suspeitas de movimentações internas irregulares, falhas graves de controlo e negação de direitos legais à viúva e aos filhos.
A Cooperativa de Poupança e Crédito (CPC), onde estava domiciliada a sua conta salário e onde em vida o malogrado detinha 44 ações, nega as acusações da família e diz que a conta tem um saldo negativo, mas não explica a razão das movimentações (débitos e créditos) que constam dos extratos enviados ao tribunal, muito menos a razão da discrepância entre dois extratos referentes à mesma conta.
A família diz, alegadamente, que os valores desapareceram das contas do falecido anos após a sua morte. Os familiares afirmam que o banco apresentou extratos contraditórios que comprovam estranhas movimentações de valores, sobretudo no dia 06 de Dezembro de 2017, ou seja, quatro anos e meio depois da sua morte.
Segundo a família, no próprio dia do falecimento, foi solicitado ao Banco de Moçambique o bloqueio da conta de Carlos Muiambo, que, na altura, teria pouco mais de 11 milhões de meticais. A família afirma que parte dos valores teria sido movimentada por levantamentos internos e transferências feitas por funcionários, sem registo de cheques ou autorizações válidas. O saque foi descoberto quando, em Dezembro de 2017, se procedeu à verificação judicial das contas.
Fonte: Jornal Evidências



