Sismo Eduardo ainda está entre nós? – Times de Todos

O activista e apresentador Sismo Eduardo, reconhecido como uma das vozes mais críticas e influentes da província de Nampula, encontra-se desaparecido há sete dias. O caso ganhou contornos alarmantes depois de a sua residência ter sido, alegadamente, cercada por indivíduos desconhecidos na madrugada de domingo, 23 de Novembro.
A denúncia foi tornada pública pela Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos (RMDDH), que revelou que o comunicador abandonou a sua casa de forma apressada “por razões de segurança”, após receber sucessivas ameaças. A organização afirma que Sismo vinha reportando episódios de intimidação, cuja origem não conseguiu identificar.
De acordo com a RMDDH, o último contacto estabelecido com o activista ocorreu na noite de domingo, horas antes do desaparecimento. Nessa ocasião, Sismo afirmou sentir-se em “risco de vida” e pediu apoio urgente. Desde então, os seus telefones permanecem desligados e não existem indícios sobre o seu paradeiro.
Fontes próximas relatam que, após fugir durante a madrugada, Sismo não voltou a comunicar com familiares nem com colegas. A ausência prolongada e o silêncio absoluto aumentam o receio de que se trate de um desaparecimento forçado ou de uma tentativa deliberada de o silenciar.
Nos últimos anos, Sismo Eduardo tornou-se uma figura central no debate público em Nampula, através da Rádio e Televisão Encontro, onde apresentava programas marcados por denúncias de alegadas violações de direitos humanos, conflitos comunitários, abusos de poder e irregularidades institucionais. A visibilidade do seu trabalho trouxe-lhe prestígio, mas também desconforto entre diferentes actores locais e estruturas de autoridade.
A RMDDH e outras organizações da sociedade civil alertam que o caso reforça preocupações antigas sobre o ambiente de intimidação que afecta activistas, jornalistas e defensores dos direitos humanos na província.
Em comunicado, o activista Gamito dos Santos, conhecido como “Pai dos Defensores em Nampula”, classificou o desaparecimento como um episódio “triste e alarmante”. Revelou ainda que a organização vai formalizar hoje uma participação às autoridades, apelando para que o Secretário de Estado, Plácido Nerino Pereira, e o Governador de Nampula, Eduardo Marino Abdula, “mobilizem todos os meios disponíveis” para localizar Sismo com vida e garantir a sua segurança.
Segundo Dos Santos, a RMDDH pretendia avaliar o caso na manhã de segunda-feira, mas ao amanhecer já não era possível contactar o activista. A família confirmou que ele deixou a residência durante a madrugada, aparentemente para evitar uma possível agressão. A partir desse momento, não houve mais qualquer atualização — um silêncio que completa uma semana e alimenta o temor de desaparecimento forçado.
Até agora, as autoridades provinciais não emitiram qualquer pronunciamento oficial, e não há informações sobre suspeitos ou motivações do cerco à residência.
A sociedade civil exige uma investigação rigorosa, respostas rápidas e medidas urgentes de proteção para comunicadores e defensores dos direitos humanos que, como Sismo Eduardo, enfrentam ameaças crescentes devido ao trabalho que desenvolvem.




