Mortos encontrados em antiga obra do governo em Manica

O Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP), vulgarmente conhecido como Bombeiros, encontrou dois corpos em avançado estado de decomposição dentro de um poço sem água, localizado numa antiga obra do governo provincial, há mais de uma década abandonada no bairro Nhamdjessa, cidade de Chimoio, província de Manica, centro de Moçambique.
O achado macabro ocorreu na segunda-feira, 13 de outubro de 2025, e levou à intervenção do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), que também removeu um terceiro corpo nas proximidades do local. O forte odor sentido pelos moradores acabou por denunciar a presença de vários cadáveres, levantando suspeitas de que o espaço pudesse ter sido usado por um assassino em série.
De acordo com Alberto João, presidente da Associação de Mototaxistas de Manica, algumas das vítimas foram reconhecidas como mototaxistas desaparecidos.
“O corpo encontrado hoje pertence a um dos nossos colegas que trabalhava na praça do mercado central. Faz parte de um grupo de cinco mototaxistas que procuramos há semanas”, revelou.
No local, marcado por dor e desespero, familiares das vítimas acompanharam o resgate. Entre eles, Rosinha Jailton, mãe de um mototaxista desaparecido.
“O meu filho Quique desapareceu há 14 dias. Procurámos por toda parte, e hoje viemos aqui com esperança de o encontrar. Infelizmente, há quem já reconheceu os seus familiares em estado avançado de decomposição”, lamentou entre lágrimas.
As autoridades policiais informaram que pretendem selar o poço após a conclusão das buscas, como medida preventiva.
“Vamos encerrar o poço para evitar que casos semelhantes voltem a acontecer”, explicou Mouzinho Manasse, porta-voz do Comando Provincial da PRM em Manica.
Fontes do SENSAP acrescentaram que, no interior do poço, foi observada uma serpente agitada, o que tem dificultado os trabalhos de resgate, levantando a possibilidade de haver outros corpos ainda não removidos.
O caso está sob investigação do SERNIC, e as autoridades não descartam a hipótese de se tratar de um depósito usado por um assassino em série para ocultar as suas vítimas.




