População de Mocímboa da Praia prefere militares ruandeses e rejeita moçambicanos

Na quinta-feira (11), populares do distrito de Mocímboa da Praia abandonaram uma reunião com o administrador local, Sérgio Cipriano, em protesto contra a presença de militares moçambicanos. O clima de desconfiança foi intensificado após o recente ataque armado na região.
Um vídeo gravado no local mostra cidadãos exigindo exclusivamente a presença de soldados ruandeses. “A comitiva está a retirar-se, depois de ouvirem que o povo só quer os ruandeses para a reunião. Nenhuma outra força é aceita. Esses são ‘al-Shabab! Saiam daqui, vão para Maputo’”, afirmam no registro, enquanto a população se dispersa.
As imagens também mostram militares moçambicanos no entorno, que provocaram a recusa da população em interagir com representantes do governo distrital.
O protesto ocorre poucos dias após o ataque de 7 de setembro no Bairro Filipe Nyusi, que resultou na morte de sete pessoas. Próximo ao local, foi encontrada uma viatura Mahindra, modelo amplamente usado pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS), levantando suspeitas sobre possível envolvimento militar moçambicano no incidente.
As FDS já foram diversas vezes acusadas de atos de violência contra civis em Cabo Delgado, incluindo assassinatos e torturas, gerando desconfiança da população. A comunidade local tem, em várias ocasiões, demonstrado preferência pela presença da força ruandesa, também engajada no combate à insurgência na região.




