ANAMOLA aponta “falência do Estado” perante ataques em Cabo Delgado e Nampula – Times de Todos

O presidente do Partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, voltou a criticar o Governo, acusando-o de falhar na proteção das populações das províncias de Cabo Delgado e Nampula, onde novos episódios de violência terrorista voltaram a gerar medo e destruição nas últimas semanas.
Através de uma nota divulgada na sua página do Facebook, Mondlane manifestou “profunda indignação” perante a continuidade dos ataques, afirmando que o Estado tem demonstrado incapacidade para garantir segurança num conflito que, desde 2017, já provocou mais de quatro mil mortes e obrigou cerca de um milhão de pessoas a fugir das suas comunidades. O dirigente descreveu as imagens de aldeias devastadas e civis brutalmente assassinados como um “símbolo da falência do Estado”.
Os ataques mais recentes no distrito de Memba, em Nampula, intensificaram as preocupações do partido. Para Mondlane, a expansão da violência para novas zonas evidencia que o terrorismo continua a progredir apesar das operações militares em curso. “Não podemos aceitar que o Governo permaneça indiferente perante este massacre”, escreveu.
O líder da ANAMOLA também criticou a gestão dos recursos destinados ao combate ao terrorismo, alegando que fundos que deveriam reforçar a segurança no norte acabam desviados para “agendas de intimidação interna” e para o que classificou como “demonstrações de força contra cidadãos desarmados que lutam por um país mais justo”.
Segundo a análise do partido, o conflito não se limita à presença de grupos extremistas, mas é agravado por fatores internos, como a exploração de recursos naturais sem retorno para as comunidades, a corrupção e o sentimento de exclusão social. Mondlane considera que a crise humanitária que atinge a região resulta igualmente da “ambição desmedida e da negligência institucional”.
O dirigente revelou ainda que o partido apresentará brevemente um conjunto de propostas consideradas “práticas e viáveis” para restaurar a segurança e estabilizar o norte do país. Defende, além disso, a criação urgente de um plano de ação humanitária para assegurar abrigo, alimentação e assistência médica às populações deslocadas.
Num apelo direto, Mondlane afirmou que Moçambique vive um momento crucial e incentivou a população a manter união e solidariedade. “Cabe-nos levantar a voz contra a barbárie que corrói o nosso povo. O país não pode aceitar a violência como destino”, afirmou.
Especialistas em política avaliam que o discurso aumenta a pressão sobre o Executivo num período em que a situação de segurança no norte volta a dominar o debate nacional. Apesar de alguns progressos alcançados com apoio internacional, continuam a surgir relatos de ataques contra aldeias remotas e deslocamentos forçados que desafiam a capacidade de resposta do Estado.
Mondlane concluiu defendendo a necessidade de uma revisão profunda na estratégia de segurança e de medidas mais eficazes de proteção às populações vulneráveis. “A dor do nosso povo deve transformar-se em ação concreta. Moçambique precisa de esperança, não de medo”, finalizou.




