Loiça feita de cascas de milho quer substituir plástico e gerar emprego em Maputo e ajudar pequenas vendedoras – Times de Todos

A startup moçambicana Agriview está a recolher cascas de milho vendidas por comerciantes de maçaroca em Maputo para transformá-las em loiça biodegradável destinada a substituir o plástico descartável. A iniciativa avança enquanto a empresa procura financiamento para iniciar a produção em escala semi-industrial e criar mais oportunidades de emprego para jovens.
Rui Bauhofer, cofundador da Agriview, explica que a equipa está à procura de fundos que permitam dar o próximo passo. “Estamos à procura de financiamento para avançar para a fase semi-industrial. Queremos crescer, empregar, agregar valor e gerar renda para mais famílias, contribuindo para a estabilidade do país”, afirmou à Lusa.
Enquanto não concretizam essa expansão, Rui e o também cofundador Joaquim Rebelo continuam a recolher cascas de milho junto de vendedoras de rua e pequenos agricultores, pagando um valor simbólico por cada lote. Segundo Rui, foi necessário mostrar os primeiros protótipos às vendedoras para que elas percebessem o objetivo da recolha.
Após adquiridas, as cascas passam por um processo de tratamento que inclui trituração, moldagem, prensagem e secagem, dando origem a pratos e favos de ovos destinados ao uso único. A aposta é substituir produtos plásticos e promover práticas mais sustentáveis.
Alguns modelos incluem sementes de chia, tomate, couve e outras culturas embutidas no material, permitindo que, após cerca de três semanas, a loiça biodegrade e dê origem a novas plantas. A empresa está agora a testar sementes de mangais e outras espécies capazes de ajudar na proteção das zonas costeiras, contribuindo para a restauração da biodiversidade.
Para Rui Bauhofer, o objetivo é transformar Moçambique num exemplo de resiliência climática. “É uma honra fazer parte de uma agenda que é simultaneamente local e global”, afirmou. A ideia é inspirada numa reportagem de 2013 sobre loiça feita a partir de resíduos de abacaxi, mas o desenvolvimento do projeto só começou em 2021, depois de inúmeros testes até chegar a protótipos consistentes e uniformes.
A escolha da casca de milho deve-se à sua disponibilidade ao longo de todo o ano e às suas propriedades naturais. Além de ser um resíduo abundante, a casca é hidrofóbica, o que facilita a produção de loiça resistente à água.
Os diferentes protótipos de favos e pratos, já expostos em vários eventos de inovação, valeram à Agriview o Prémio África de Inovação em Engenharia, atribuído pela Royal Academy of Engineering, bem como o prémio “One to Watch”, ambos reconhecendo soluções sustentáveis e escaláveis em África.
A empresa pretende, no futuro, ampliar a produção para incluir copos e talheres biodegradáveis, oferecendo alternativas ao plástico utilizado por vendedoras de comida e restaurantes de Maputo. A meta é que todos os produtos sejam totalmente biodegradáveis e regressem ao ambiente sem causar danos.




