Tribo oferece sexo aos convidados como sinal de respeito – Times de Todos

No norte da Namíbia, a comunidade Himba, um grupo seminómada de aproximadamente 50 mil pessoas, continua a atrair o interesse internacional por preservar costumes que desafiam as normas ocidentais. Entre as práticas mais discutidas está o Okujepisa Omukazendu, um ritual de hospitalidade que envolve a cedência da esposa a visitantes para pernoite.
O Conceito de Hospitalidade e Laços Sociais
De acordo com as tradições locais, o ato de um anfitrião oferecer o quarto e a companhia da esposa a um convidado — enquanto ele próprio dorme em outro local ou ao relento — tem como objetivo fortalecer a união comunitária e mitigar sentimentos de posse ou ciúme.
Embora o costume seja real, ele possui regras específicas. O blogueiro ganês Wode Maya, após visitar a região de Cunene, esclareceu que a prática ocorre predominantemente entre membros da própria etnia. Segundo ele, a oferta é uma forma de evitar a desconfiança e selar a fraternidade entre diferentes famílias Himba.
Estilo de Vida e Higiene Única
A escassez de água na região moldou hábitos singulares que hoje são símbolos de identidade cultural:
- Higiene sem água: As mulheres não utilizam rios para o banho. Em vez disso, realizam um ritual de defumação com ervas aromáticas e aplicam uma mistura de manteiga e ocre na pele.
- Economia Pastorial: O grupo vive do gado e da agricultura de subsistência, mantendo a estrutura seminómada que trouxeram de Angola há dois séculos.
Espiritualidade e o Fogo Sagrado
A vida espiritual dos Himba gira em torno de Mukuru, a divindade suprema. A comunicação com o divino é feita através dos antepassados, e cada núcleo familiar é responsável por manter o “fogo ancestral” aceso. Esse fogo é vigiado por um guardião e serve como ponto focal para rituais que ocorrem semanalmente.
Perspectiva e Respeito Cultural
Antropólogos e especialistas recomendam cautela ao analisar essas práticas. O debate sobre gênero e autonomia feminina dentro de uma estrutura patriarcal é válido, mas deve ser feito sem cair no sensacionalismo. A compreensão dos Himba exige um olhar que considere a história de sobrevivência do grupo e os valores de coesão social que sustentam a sua cultura há gerações.



