Menor de 16 anos morre em cela policial em Chimoio e família acusa a PRM de assassinato – Times de Todos

Um adolescente de 16 anos perdeu a vida nas celas do posto policial de Nhamadjessa, na cidade de Chimoio, província de Manica, após ter sido detido pela Polícia da República de Moçambique (PRM). As autoridades afirmam que o jovem terá tirado a própria vida utilizando as roupas que vestia, versão que é rejeitada pela família, que exige justiça e responsabilização dos agentes envolvidos.
De acordo com informações apuradas, o menor foi detido na sequência de um desentendimento com outro adolescente. O caso remonta ao dia 30 de janeiro, quando os pais do outro envolvido apresentaram uma queixa às autoridades, alegando prejuízos materiais avaliados em cerca de três mil meticais, incluindo a perda de um telemóvel. A família do adolescente falecido garante que o valor já havia sido integralmente ressarcido.
O jovem foi recolhido pela polícia no sábado, 31 de janeiro. Familiares relatam que chegaram a visitá-lo nas celas e que, até então, apresentava bom estado de saúde. No entanto, momentos antes da sua alegada libertação, a família foi surpreendida com a notícia da sua morte.
Em declarações à imprensa, os parentes afirmam que o corpo do adolescente apresentava sinais visíveis de agressões físicas, incluindo hematomas em várias partes do corpo. A família acusa os agentes policiais de envolvimento direto na morte e sustenta que elementos do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) terão confirmado a existência dessas marcas de violência.
Por sua vez, o chefe do Departamento de Relações Públicas no Comando Provincial da PRM em Manica, Mouzinho Manasse, declarou que o adolescente teria cometido suicídio no interior da cela, enforcando-se com as próprias vestes. Segundo a polícia, o menor ainda foi socorrido e encaminhado ao Hospital Provincial de Chimoio, onde acabou por falecer.
A família do malogrado afirma que não irá cessar a luta até que os factos sejam totalmente esclarecidos e que os responsáveis sejam levados à justiça. O caso reacende o debate sobre as condições de detenção, o tratamento de menores sob custódia policial e a necessidade de investigações independentes sempre que há mortes em estabelecimentos de detenção.
As autoridades garantem que o processo segue os trâmites legais e que o caso continua sob investigação.




