O detalhe macabro no quarto de hotel que intriga os investigadores portugueses – Times de Todos

O banqueiro português foi encontrado morto num hotel de luxo em Maputo. O SERNIC afirma que a vítima usou facas e veneno, tese que o ex-inspetor Carlos Anjos considera “anormal” e “invulgar”.
MAPUTO / LISBOA – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) de Moçambique confirmou, em conferência de imprensa, que a morte de Pedro Ferraz Reis, diretor do BCI de Moçambique, foi um suicídio. O banqueiro de 52 anos foi encontrado sem vida na casa de banho do histórico Serena Polana Hotel, em Maputo, na última segunda-feira.
A Reconstituição do SERNIC
Segundo o porta-voz Hilário Leite, a investigação concluiu que o banqueiro planeou o ato meticulosamente. A polícia detalhou o trajeto da vítima antes do incidente:
- Residência: Deslocou-se a casa para recolher uma faca.
- Compras: Adquiriu mais duas facas (encontradas na sua viatura) e veneno para ratos num estabelecimento comercial.
- O Ato: No hotel, terá ingerido o veneno e utilizado os instrumentos perfurantes para tirar a própria vida.
Esta versão oficial surge após uma reviravolta nas informações, uma vez que, nas primeiras horas após o incidente, a própria polícia chegou a trabalhar com a hipótese de assassinato.
Especialista em Portugal levanta dúvidas
Apesar da conclusão das autoridades moçambicanas, acompanhada pela Medicina Legal e pelo Ministério Público local, a tese de suicídio gera estranheza em especialistas de investigação criminal.
Em declarações ao jornal PÚBLICO, Carlos Anjos, antigo inspetor da Polícia Judiciária (PJ), manifestou um ceticismo profundo quanto à natureza dos métodos utilizados. Para o especialista, a combinação de ingestão de veneno com a auto-mutilação (corte de pulsos) foge a qualquer padrão comportamental típico:
“Confesso que nunca vi, ou não é normal, alguém que se quer suicidar tomar remédio para ratos e depois cortar os pulsos. Ou corta os pulsos ou toma veneno e deita-se e depois morre”, afirmou Carlos Anjos.
Contradições e Vigilância
O caso continua a suscitar debate, especialmente pela rapidez com que a tese mudou de homicídio para suicídio e pela “invulgaridade” do cenário descrito. Carlos Anjos reforça que as suas ressalvas se baseiam na experiência forense, sugerindo que a investigação moçambicana poderá enfrentar novos questionamentos caso surjam discrepâncias entre os factos e a perícia médica final.
A comunidade bancária e a diplomacia portuguesa acompanham de perto o desenrolar do caso, que vitimou um dos quadros mais proeminentes do setor financeiro em Moçambique.




