Família de Arlindo Chissale aponta falhas na justiça e vive sob medo à espera de respostas – Times de Todos

Mais de um ano após o desaparecimento do jornalista Arlindo Chissale, editor do portal Pinnacle News, a família continua sem qualquer esclarecimento oficial sobre o seu paradeiro. O comunicador sumiu em 7 de janeiro de 2025, quando viajava de Pemba para Nacala, e, até hoje, o caso permanece envolto em silêncio, alimentando denúncias sobre a fragilidade do sistema de justiça e o receio de procurar respostas.
Em declarações exclusivas à Zumbo FM Notícias, no dia 31 de janeiro de 2026, um familiar manifestou profunda frustração com a falta de avanços. “Até hoje não houve nada”, afirmou, descrevendo um sentimento de impotência perante a ausência de informações. Segundo a família, o desgaste emocional é grande e a esperança de obter esclarecimentos vai diminuindo. “É uma fragilidade enorme e já estamos cansados disso”, desabafou. O medo também pesa: “Se eu tentar procurar informações sobre o que está a acontecer, há receio de que possam vir atrás de mim”.
Em agosto de 2025, o Procurador Principal da Procuradoria Provincial de Cabo Delgado, Gilroy Fazenda, declarou que o processo relacionado com o desaparecimento de Arlindo Chissale se encontrava na fase de instrução, considerada confidencial. Na ocasião, explicou que detalhes das diligências não poderiam ser tornados públicos para não comprometer a investigação, assegurando, contudo, que o caso seguia em tramitação.
Reconhecido pelo seu trabalho crítico e rigoroso, Arlindo Chissale destacou-se pela cobertura de temas sensíveis, como a violência armada, o conflito insurgente e as violações de direitos humanos em Cabo Delgado. As suas reportagens tiveram impacto dentro e fora do país, tornando-se referência para a sociedade civil e chamando a atenção da comunidade internacional para a crise humanitária e de segurança na região.
Organizações de defesa da liberdade de imprensa, como o MISA Moçambique e a Repórteres Sem Fronteiras, têm alertado que a ausência de respostas em casos como este enfraquece a liberdade de expressão e reforça a impunidade.
Enquanto isso, a família mantém o apelo por esclarecimentos urgentes e transparentes, sublinhando que o desaparecimento de Arlindo Chissale continua a evidenciar os riscos enfrentados por jornalistas em Moçambique, sobretudo em zonas marcadas por conflitos, e a fragilidade do direito à informação.




