Membros do ANAMOLA fogem de perseguição em Nampula e afirmam que podem ser assassinados – Times de Todos

Membros do partido Aliança Nacional para Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) dizem enfrentar intimidação e perseguição em vários distritos da província de Nampula, sobretudo em Eráti e Liúpo, alegadamente por parte das autoridades locais e da Polícia da República de Moçambique (PRM). Muitos abandonaram as suas casas após os protestos violentos que se seguiram às eleições do ano passado e afirmam temer regressar.
A denúncia foi apresentada pelo coordenador provincial do ANAMOLA, Castro Niquina, em entrevista à DW. Segundo o dirigente, durante as manifestações pós-eleitorais foram registadas mortes em Eráti, situação que aumentou o sentimento de insegurança entre os apoiantes do partido. “Fizemos várias denúncias sobre execuções no distrito, concretamente no Posto Administrativo de Namiroa. Por isso, as pessoas ainda têm medo”, afirmou.
“Posso ser assassinado a qualquer momento”
Um dos membros que fugiu de Liúpo, e que pediu anonimato, relata que abandonou o distrito em março com a família devido à pressão e às ameaças. “Liúpo foi um dos distritos onde as manifestações foram mais intensas e, por isso, somos perseguidos. Posso ser assassinado a qualquer momento”, disse à DW.
Segundo o mesmo apoiador, a perseguição seria conduzida por agentes da polícia em coordenação com autoridades locais. “Alegam que os manifestantes destruíram bens e, como somos conhecidos, não podemos voltar a aparecer”, acrescentou. Ele lamenta ainda que, desde que deixou o distrito, perdeu o sustento da família: “Sou negociante e, agora, tudo parou”.
Outro membro do partido, anteriormente residente em Eráti, também fugiu e vive acolhido na cidade de Nampula, afirmando enfrentar situação semelhante.
Distritos excluídos de eleições internas
Neste fim de semana, o ANAMOLA realizou eleições internas em 12 dos 23 distritos da província, mas Eráti e Liúpo ficaram de fora. Castro Niquina afirma estar a tentar desbloquear a situação: “Contactei o administrador de Eráti e manifestei a intenção de um encontro. Ele mostrou abertura, mas as agendas não permitiram avançar”.
Autoridades rejeitam acusações
O administrador de Eráti, Januário André, nega qualquer perseguição com motivações políticas e garante que o ambiente no distrito é harmonioso. “Ninguém está a ser perseguido. Até jovens do ANAMOLA participaram recentemente numa jornada de limpeza. Estamos a construir Eráti juntos”, afirmou.
Já o administrador de Liúpo, César Nacuo, não respondeu às denúncias. Apesar de ter atendido chamadas da DW, alegou falta de tempo e não confirmou nem negou as acusações.
A PRM também rejeita as alegações. O porta-voz do Comando Provincial da Polícia em Nampula, Dércio Samuel, afirma que não existe qualquer registro de queixas formais. “Nos distritos mencionados, essa informação não corresponde à verdade, porque nunca foi participada à Polícia. Aconselhamos os membros desse partido a apresentarem denúncias”, declarou.




