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entenda por que o ativista angolano continua preso há dois anos sem julgamento

Luanda, 19 de outubro de 2025 — O nome de Man Genas, conhecido em Angola pelas suas denúncias públicas contra altos dirigentes do país, volta a gerar debate nacional e internacional. O ativista permanece detido há cerca de dois anos em prisão preventiva, situação que tem levantado questionamentos de juristas e defensores dos direitos humanos sobre a legalidade da sua permanência na cadeia.

De acordo com fontes próximas à família, Man Genas foi detido após um período conturbado em que realizou denúncias graves contra figuras públicas angolanas, apresentando alegadamente provas e nomes de envolvidos em esquemas de corrupção. Antes de ser detido, teria sido alvo de perseguição, chegando a sofrer um atentado em que foi baleado e posteriormente mantido em cativeiro durante dois anos em Moçambique, de onde continuou a divulgar informações nas redes sociais.

Em 2023, o ativista foi deportado de Moçambique para Angola num voo oficial, acompanhado pela esposa e pela filha menor. À chegada a Luanda, foi imediatamente colocado em prisão preventiva sob acusações de ultraje ao Estado e aos seus símbolos. Entretanto, o processo judicial teria desaparecido dos arquivos, reaparecendo meses depois, segundo relatos da defesa.

Durante esse intervalo, os advogados e familiares foram surpreendidos com uma nova acusação — desta vez, por calúnia e difamação contra uma figura pública identificada como o senhor Laborinho. De acordo com o Código Penal Angolano, este tipo de crime prevê penas suspensas ou alternativas à prisão, o que, em tese, permitiria a libertação imediata de Man Genas, uma vez que já cumpriu mais de dois anos em detenção preventiva.

Contudo, segundo os familiares, o processo judicial tem enfrentado atrasos inexplicáveis. No dia previsto para a leitura da sentença, o juiz responsável pelo caso teria adoecido subitamente, e o processo original de ultraje ao Estado reapareceu nos arquivos judiciais — um facto que levantou novas suspeitas sobre a condução do caso.

Atualmente, Man Genas continua em reclusão, apesar das alegações de que o processo não justifica uma pena efetiva. Defensores da liberdade de expressão e organizações civis pedem a sua libertação imediata, argumentando que se trata de um caso de perseguição política disfarçada de processo criminal.

“Os responsáveis estão entre a espada e a parede, tentando encontrar um crime onde não existe”, declarou Simão Cativa, um dos apoiantes mais próximos de Man Genas, que tem mobilizado campanhas sob o lema “Liberdade Já para o Man Genas”.

O governo angolano ainda não se pronunciou oficialmente sobre o prolongamento da prisão preventiva do ativista.

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