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CDD alerta sobre oito anos de terrorismo em Cabo Delgado

O Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD) fez uma análise crítica sobre os oito anos de ataques armados em Cabo Delgado, destacando a persistência da crise humanitária e a fragilidade das respostas estatais.

Abdul Tavares, coordenador do escritório do CDD na província, recordou que, no início da insurgência, as autoridades minimizaram a situação, classificando-a como simples banditismo. “Passados oito anos, não existe uma explicação oficial convincente sobre quem está por detrás desta guerra nem as suas motivações”, afirmou.


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Segundo Tavares, a intervenção do Estado concentrou-se quase exclusivamente no campo militar, ignorando as causas sociais que alimentam a vulnerabilidade dos jovens recrutados. “Investimos muito na resposta militar, mas esquecemo-nos das causas sociais. As promessas de estabilização não se concretizaram e os ataques continuam a espalhar-se para distritos como Balama e Ibo”, disse.

O coordenador destacou ainda que a insegurança compromete a circulação na estrada EN380 e a sobrevivência das comunidades costeiras dependentes da pesca. “As pessoas vivem um dilema entre morrer de fome nas zonas deslocadas ou regressar e morrer pela guerra”, lamentou.

Para o CDD, a resolução do conflito exige uma resposta tripartida: ajuda humanitária, reconstrução para o desenvolvimento e fortalecimento das forças nacionais. “Sem uma força credível, continuaremos dependentes de tropas estrangeiras, que por vezes têm interesses próprios”, advertiu Tavares.

O coordenador criticou a fragilidade institucional do Estado, apontando denúncias de “militares fantasmas” nas folhas salariais do Ministério da Defesa, como exemplo da falta de sensibilidade e transparência na gestão da guerra.

Desde 2021, o CDD tem realizado monitoria, advocacia e projetos de resiliência nas comunidades afetadas, embora o acesso a zonas mais atingidas permaneça limitado devido à insegurança e à ausência de informações oficiais.

Tavares concluiu defendendo que o fim da guerra depende do empenho interno: “A solução não virá de fora. É preciso unidade, capacidade interna e liderança comprometida com a paz e o desenvolvimento sustentável da província.”

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