“Mulher para Mulher” cria espaço de escuta e cura emocional para mulheres em Moçambique – Times de Todos

Iniciativa liderada pela antiga ministra Helena Kida pretende combater o silêncio em torno das dores emocionais, promover apoio psicológico e fortalecer a autonomia feminina.
A antiga Ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos e Vice-Ministra do Interior de Moçambique, Helena Mateus Kida, lançou a iniciativa “Mulher para Mulher”, um movimento de escuta, acolhimento e cura emocional destinado às mulheres moçambicanas.
A iniciativa, promovida pela Helena Kida Initiative, surge como um espaço de partilha de experiências, reflexão e apoio para mulheres de diferentes origens sociais, com o objectivo de criar um ambiente seguro onde possam falar sobre desafios, traumas e dificuldades enfrentadas no quotidiano.
“Este é um movimento de cura que eu chamo de cura no feminino, porque é um espaço de mulheres convidado para conversar. Quando falamos de cura, falamos também de sentar e conversar sobre situações que preocupam as mulheres e que, muitas vezes, no corre-corre do dia-a-dia, não conseguimos resolver”, explicou Helena Kida.
Segundo a mentora, o projecto não possui carácter político ou religioso, mas pretende ser um espaço inclusivo para todas as mulheres, independentemente da raça, condição social ou nível de formação.
“Há situações pelas quais as mulheres passam, mas muitas vezes não encontram um fórum para conversar. O objectivo é mostrar que nenhuma mulher está sozinha, principalmente em momentos difíceis como o luto, onde muitas vezes o simples aconchego e a partilha de experiências podem ajudar no processo de recuperação”, afirmou.
A iniciativa foi acolhida por diferentes sectores da sociedade. Para Delfina Nhatitima, o projecto chega num momento importante, tendo em conta o sofrimento silencioso enfrentado por muitas mulheres.
“Há muito sofrimento lá fora e muitas pessoas sofrem sozinhas no seu canto. Se existe um espaço preparado para que as mulheres se encontrem, partilhem histórias e sejam encaminhadas, é uma iniciativa bem-vinda”, disse.

A Secretária da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), Cidália Chauque, considera que o movimento poderá contribuir para a estabilidade emocional das mulheres, criando oportunidades de diálogo e troca de experiências.
“Esta iniciativa vai trazer uma abertura para que as mulheres possam conversar, exteriorizar aquilo que sentem e serem elas próprias a apresentar soluções para os desafios que enfrentam. Será também um momento de alegria, interacção e reencontro da mulher consigo mesma”, referiu.

O psicólogo Augusto Guambe destacou a importância da criação de espaços específicos para que as mulheres possam falar sobre as suas dores e dificuldades.
“Precisamos de espaços onde as mulheres possam falar sobre elas, sobre as suas dores e os problemas que enfrentam diariamente. As mulheres são cuidadoras, são mães, esposas, profissionais e pessoas ligadas a várias redes sociais, mas também enfrentam problemas que muitas vezes não encontram espaço para serem discutidos e superados”, explicou.

De acordo com a organização, a iniciativa “Mulher para Mulher — Espaço de Escuta e (Re)Significação das Dores Emocionais” pretende responder aos desafios relacionados com a saúde mental e o bem-estar feminino em Moçambique.
Apesar dos avanços legais e sociais, muitas mulheres continuam a enfrentar barreiras no acesso ao apoio emocional, jurídico e económico, sobretudo em situações de vulnerabilidade.
Para a implementação do projecto, Helena Kida irá realizar uma palestra no sábado, dia 1 de Agosto, às 15h30, no Jardim da Empatia, na KaTembe, depois da portagem da KaTembe.
Segundo Helena Kida, o workshop tem como objectivos promover o bem-estar emocional e a autonomia das mulheres, através de uma estratégia de cura feminina, partilha de experiências, apoio psicológico, jurídico, médico e financeiro gratuito.
A iniciativa prevê igualmente a realização de oficinas de empoderamento e geração de renda, redução do isolamento e do estigma associado à saúde mental, bem como o encaminhamento de casos complexos para redes de apoio do Estado e parceiros.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Ministério da Saúde indicam que uma em cada três mulheres em Moçambique já sofreu algum tipo de violência física ou psicológica. A organização alerta que mulheres residentes nas zonas suburbanas e noutras províncias continuam a ter acesso limitado a serviços gratuitos e integrados de apoio.
Nos primeiros seis meses, o projecto espera acolher mais de 200 mulheres, contribuir para a redução do isolamento e sofrimento emocional, aumentar o conhecimento sobre direitos e fornecer ferramentas para a geração de renda e autonomia financeira.
Créditos das Imagens: Joel Candrinho




