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Mãe só descobriu gravidez da filha de 16 anos quando a gestação já estava no sexto mês – Times de Todos

Laura Sitoi conta que ficou completamente abalada quando soube que a filha mais nova, de 16 anos, estava grávida. A notícia foi tão inesperada que, num primeiro momento, acreditou tratar-se de um engano. A única pergunta que lhe vinha à mente era onde teria falhado como mãe, enquanto lutava para aceitar a realidade.

Ao partilhar a situação com uma vizinha de confiança, ouviu um questionamento direto sobre como não tinha percebido as mudanças físicas da adolescente ao longo da gravidez.

“Fui a última pessoa da família a saber que a minha filha estava grávida. Só acreditei quando ela própria confirmou. Ela sempre foi uma menina muito reservada e com poucas amizades”, explicou.

A adolescente, identificada no texto pelo nome fictício de Carla, já se encontrava no sexto mês de gestação. Para Laura, viúva e mãe de sete filhos, restava apenas descobrir quem era o pai da criança e preparar-se, tanto emocional como financeiramente, para receber mais um membro na família. No entanto, rapidamente percebeu que havia uma grande probabilidade de ser ela a assumir a maior parte da responsabilidade pelos cuidados do bebé.

Segundo o relato, o pai da criança tem 19 anos e residia com a mãe no mesmo bairro. Contudo, após tomar conhecimento da gravidez da adolescente, teria deixado a zona para passar a viver com o pai, fora do município de Boane, na província de Maputo.

Desde a morte do marido, ocorrida há três anos, Laura passou a ser a única responsável pelo sustento da família. Trabalha na venda de hortícolas e legumes no mercado da vila de Boane, instalado ao longo da estrada. Para reforçar o rendimento familiar, também envolveu as filhas gémeas, de 17 anos, no negócio.

“Cada uma tem a sua banca. Dessa forma conseguimos aumentar um pouco o rendimento. Não tive outra escolha. Elas vendem depois das aulas. A Carla permanecia em casa para cuidar do irmão mais novo e ajudar nos trabalhos da cozinha”, contou.

Laura reconhece que o tempo que passa fora de casa pode ter contribuído para não perceber a gravidez da filha mais cedo.

“Saio muito cedo para ir ‘gwevar’ (comprar produtos por grosso) para revender e só regresso ao anoitecer. Talvez por isso não tenha notado a gravidez. Quase não tinha tempo para estar com ela. Mas preciso trabalhar para garantir o sustento dos meus filhos”, afirmou.

Depois de a gravidez se tornar evidente, Carla perdeu a coragem de regressar à escola e interrompeu os estudos quando frequentava a 10.ª classe. Apesar disso, manifesta o desejo de voltar a estudar no futuro.

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