Sociedade

Governação Bairro-a-bairro: Parruque procura soluções para os problemas que afligem Bairro Intaka

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Os problemas de drenagem, congestionamento, insegurança, fornecimento de energia eléctrica, gestão de resíduos sólidos e poluição sonora dominaram, esta sexta-feira (02), a interacção entre os moradores do bairro de Intaka e o presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, no âmbito da iniciativa “Governação Bairro-a-Bairro”.

A deslocação de Parruque ao Posto Administrativo de Infulene teve como objectivo fiscalizar obras realizadas naquela zona e ouvir, directamente dos munícipes, os principais problemas que afectam as comunidades, tendo sido igualmente mantidos encontros com transportadores e associações do sector.

Entre as principais preocupações apresentadas esteve o congestionamento na primeira rotunda, ponto de ligação entre os bairros de Muhalaze, Intaka e Boquisso. Os transportadores defendem a construção de um terminal rodoviário organizado, com espaço para passageiros e comerciantes.

“Seria necessário um terminal para evitar tudo isso, o congestionamento. Um terminal bem organizado, com bancas e espaço para passageiros, seria ideal para o nosso bairro”, defendeu Mário Guambe, presidente da União das Cooperativas de Transporte da Matola (UNICOTRAMA), que apontou também a necessidade de construção de casas de banho na zona.

Em resposta, Júlio Parruque disse que o município deverá procurar, em conjunto com os transportadores, uma solução para o problema do congestionamento e das condições de funcionamento naquela área.

Drenagem continua a preocupar moradores

A drenagem foi outra das questões que mereceram atenção durante a visita, particularmente na estrada Intaka-Boquisso, uma das infra-estruturas recentemente construídas no bairro, com cerca de seis quilómetros, incluindo passeios, iluminação pública, sinalização e sistema de drenagem.

Parruque reconheceu que a infra-estrutura enfrentou problemas de drenagem após as chuvas registadas no início do ano e explicou que a visita serviu para avaliar as intervenções realizadas e o actual desempenho da obra.

“É uma estrada que, quando terminou, coincidiu com aquelas chuvas no princípio do ano. Verificou-se que o sistema de drenagem não funcionava plenamente. Estamos aqui de volta para verificar em que escala foram feitas as intervenções, para perceber o desempenho da obra. É uma estrada com grandes investimentos e que veio revolucionar o bairro. Agora só falta a drenagem”, afirmou.

O director da obra, Sílvio Chirindza, explicou que as chuvas permitiram identificar limitações no sistema de drenagem, tendo sido realizadas intervenções para aumentar a capacidade de escoamento das águas.

“A zona tinha acumulação de água devido às últimas chuvas, que revelaram algumas lacunas, e fomos chamados a intervir. Fez-se a melhoria e provou-se que o trabalho foi efectivo. O problema está concluído, agora só faltam as limpezas”, explicou.

Segundo Chirindza, o processo de limpeza deverá decorrer nas próximas duas a três semanas, estando neste momento em curso a mobilização para a realização dos trabalhos.

Moradores denunciam inundações e abandono de residências

Durante a interacção com o município, moradores relataram que as inundações constituem um problema recorrente em diferentes pontos do bairro.

Armindo Inguane, representante da comunidade, apontou a gestão de resíduos sólidos, as oscilações frequentes de energia eléctrica, a necessidade de melhorar as vias de acesso na zona da Acipol, os roubos e a poluição sonora como alguns dos problemas que mais afectam os residentes.

A comunidade defende igualmente o reforço do patrulhamento policial e a instalação de um posto policial, alegando que os assaltos ocorrem a qualquer hora do dia.

Outro problema levantado foi a acumulação de água no quarteirão 6, onde, segundo os moradores, a água chega a entrar nas residências. Como consequência das inundações, cerca de 50 famílias terão abandonado as suas casas.

Moradores relataram ainda problemas de saneamento, sobretudo na primeira rotunda, onde, segundo os intervenientes, a falta de casas de banho leva algumas pessoas a utilizar espaços improvisados.

Energia eléctrica e poluição sonora

As dificuldades no fornecimento de energia eléctrica também foram apresentadas ao edil da Matola.

Esperança, comerciante, relatou ter permanecido 72 horas sem energia, situação que, segundo ela, provocou a deterioração de produtos que comercializa. A munícipe criticou igualmente a demora no atendimento das chamadas dirigidas à Electricidade de Moçambique (EDM).

A poluição sonora foi igualmente apontada como um problema frequente, com moradores a queixarem-se do barulho proveniente de bares, igrejas, viaturas com escapes ruidosos e outras actividades nocturnas.

Inocência Zucula, residente nos bairros 14 e 15, associou a poluição sonora e os assaltos ao sentimento de insegurança que, segundo afirmou, leva algumas pessoas a considerar abandonar a zona.

A moradora apontou ainda a primeira rotunda como um dos pontos mais problemáticos, sobretudo a partir das 18 horas, mencionando situações relacionadas com prostituição, consumo de álcool e drogas.

Transportes agravam congestionamento

Os moradores também criticaram a forma como os transportadores utilizam a primeira rotunda, alegando que os “chapas” param directamente na via, contribuindo para o agravamento do congestionamento.

Sidónio Júnior, residente no quarteirão 14 e empreendedor, defendeu a organização do transporte e a criação de melhores condições de saneamento.

O munícipe levantou ainda questões relacionadas com a alegada desigualdade na retirada de bancas instaladas nas bermas da estrada, defendendo que a fiscalização deve ser aplicada de forma igual a todos.

Sidónio pediu também a intervenção do município nas casas que terão sofrido danos provocados pelas vibrações das máquinas durante a construção da estrada, além de melhorias no fornecimento de energia eléctrica.

“Campo de futebol transformou-se em lagoa”

No quarteirão 13, Jeremias Cuna chamou atenção para o problema da estagnação das águas, afirmando que o campo de futebol recentemente inaugurado passou a acumular água durante as chuvas.

Segundo o morador, a situação está relacionada com a construção da estrada circular, uma vez que a via ficou numa cota superior às residências, fazendo com que a água das chuvas escorra para as zonas habitacionais.

Cuna criticou ainda o facto de algumas intervenções públicas ocorrerem apenas quando as autoridades visitam os bairros.

Município anuncia reassentamento

Face aos problemas de inundação, o Município da Matola indicou que algumas famílias afectadas deverão ser reassentadas em Pessene, alegando falta de espaço disponível nas proximidades da Matola para acomodar as famílias em zonas seguras.

O município deverá, num futuro próximo, proceder à identificação das famílias abrangidas, estando actualmente em curso a mobilização de fundos para o processo.

Em relação às casas que terão sofrido danos devido às vibrações das máquinas usadas na construção da estrada, Parruque garantiu que o município irá procurar uma resposta para os afectados.

O edil reiterou ainda o compromisso de trabalhar na busca de uma solução para a bacia de drenagem do quarteirão 13: “Já existe uma luz para a bacia do quarteirão 13”, afirmou Júlio Parruque.

A iniciativa “Governação Bairro-a-Bairro” pretende aproximar a administração municipal das comunidades, permitindo que os problemas sejam apresentados directamente pelos munícipes e acompanhados pelas autoridades no terreno.

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