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Supostos terroristas raptam duas pessoas durante pesca em lago de Muidumbe, Cabo Delgado – Times de Todos

Dois residentes da comunidade de Mapate, no distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado, foram raptados por indivíduos apontados como supostos terroristas enquanto realizavam actividades de pesca no lago Nhanje, uma situação que levou parte da população local a abandonar a zona por medo de novos ataques.

Segundo informações de fontes locais citadas pela agência Lusa, o rapto aconteceu durante o dia de domingo, quando um grupo de moradores se encontrava a pescar naquele lago, localizado a cerca de 20 quilómetros da aldeia de Mapate.

“Desapareceram dois membros da comunidade no lago Nhanje. Foram pescar e terão sido surpreendidos pelos rebeldes nas matas junto ao lago”, relatou uma fonte contactada pela Lusa a partir do distrito de Muidumbe.

De acordo com os relatos, as duas vítimas são residentes da comunidade que haviam regressado recentemente à região depois de permanecerem vários anos fora devido à insegurança causada pelos ataques armados registados em 2022.

“Um vivia em Namialo e outro em Mueda. Como a situação estava relativamente calma, voltaram e hoje acontece isso”, lamentou outra fonte local.

Após o desaparecimento das duas pessoas, alguns moradores decidiram deixar a área por receio de novos ataques. Enquanto isso, membros da Força Local estão envolvidos em operações de busca para tentar encontrar as vítimas e esclarecer o sucedido.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, uma região rica em gás natural, enfrenta há oito anos uma insurgência armada protagonizada por grupos extremistas. O primeiro ataque ocorreu a 5 de Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

Dados da organização de monitoria de conflitos armados ACLED (Armed Conflict Location & Event Data) indicam que, nas primeiras duas semanas de Junho, foram registados 11 episódios violentos em Cabo Delgado, todos envolvendo grupos extremistas associados ao Estado Islâmico.

Os ataques resultaram em oito mortes, elevando para 6.632 o número acumulado de óbitos desde o início da insurgência, em 2017.

O último relatório da ACLED, referente ao período entre 1 e 14 de Junho, aponta que, dos 2.408 eventos violentos registados em Cabo Delgado desde o início do conflito, 2.224 envolveram elementos ligados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

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