EUA aprovam satélite com espelho espacial para iluminar a Terra à noite e projeto gera críticas de astrónomos – Times de Todos

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) aprovou o pedido da startup Reflect Orbital para lançar o Earendil-1, um satélite equipado com um grande espelho destinado a refletir a luz do Sol para a Terra durante a noite. O objetivo é criar uma iluminação artificial capaz de atingir áreas específicas do planeta.
Apesar da autorização, o projeto tem sido alvo de fortes críticas por parte de astrónomos e especialistas, que alertam para possíveis impactos negativos na investigação científica, além de potenciais riscos para a saúde humana e para o meio ambiente.
Primeiro passo de um projeto de grande dimensão
Com sede em Hawthorne, no estado da Califórnia, a Reflect Orbital pretende colocar em órbita uma constelação de espelhos espaciais capazes de redirecionar a luz solar para diferentes regiões da superfície terrestre.
O primeiro satélite, o Earendil-1, já está pronto para ser lançado e aguardava apenas a autorização das autoridades norte-americanas, que foi agora concedida.
Segundo a empresa, o equipamento será colocado em órbita a cerca de 640 quilómetros de altitude e abrirá um espelho quadrado com aproximadamente 18 metros de largura.
A tecnologia deverá refletir luz suficiente para iluminar uma área circular com cerca de 4,8 quilómetros de diâmetro. Para quem estiver em terra, o satélite aparecerá no céu como um ponto luminoso com brilho semelhante ao da Lua cheia.
A Reflect Orbital afirma que a tecnologia poderá ser utilizada para prolongar o funcionamento de fazendas solares após o pôr do sol, apoiar operações de busca e salvamento e fornecer iluminação em áreas urbanas.
Os planos da empresa passam por lançar mil satélites até 2028, aumentar esse número para cinco mil até 2030 e atingir uma constelação de 50 mil espelhos orbitais até 2035.
Especialistas alertam para possíveis impactos
O projeto despertou preocupação entre investigadores e especialistas.
Segundo os críticos, o aumento artificial da iluminação durante a noite poderá interferir nos ritmos circadianos de seres humanos, animais e plantas, afetando ciclos naturais de sono, reprodução, migração e polinização.
Há receios de que algumas espécies possam reproduzir-se em períodos inadequados, que insetos em hibernação sejam afetados e que determinadas plantas floresçam quando os seus polinizadores naturais não estiverem ativos.
Astrónomos também alertam que o satélite poderá agravar os problemas enfrentados pela observação do céu, já dificultada pelo elevado número de satélites em órbita.
Como exemplo, especialistas referem que a constelação Starlink, da SpaceX, já produz rastos luminosos que interferem nas imagens captadas por telescópios terrestres.
O que foi aprovado pela FCC
Para responder às críticas, a FCC esclareceu que a autorização concedida diz respeito exclusivamente ao uso do espectro de radiofrequência necessário para o funcionamento do satélite.
Segundo o órgão regulador, a tecnologia proposta pela Reflect Orbital atende ao interesse público.
A comissão acrescentou que as questões relacionadas com saúde e impactos ambientais não fizeram parte da análise que resultou na aprovação do projeto.




