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Onde está o corpo de Hélio Cabo? Família acusa PRM de reter agente morto – Times de Todos

Hélio Cabo, guarda-fronteira que serviu em Cabo Delgado, faleceu em dezembro, mas entraves burocráticos impedem o translado para o funeral em Nampula.

NAMPULA — O que deveria ser um momento de luto e despedida transformou-se em angústia e revolta para os familiares de Hélio Cabo. O malogrado, que em vida servia como agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) no posto fronteiriço de Namaacha, faleceu no passado dia 25 de dezembro, mas, quase um mês depois, o seu corpo permanece retido na capital do país, longe da sua terra natal.

Promessas de Translado e Frustração

​A família, residente na Cidade de Nampula, moveu esforços para cumprir o último desejo de Hélio: ser sepultado onde nasceu. Segundo os relatos apresentados à imprensa, após a submissão da documentação necessária ao Ministério do Interior (MINT), esperava-se que o corpo fosse enviado via aérea.

​No entanto, o cenário foi desolador: num dos voos programados, chegaram apenas a viúva e uma cunhada, sem a urna do falecido. As justificações dadas pelas autoridades teriam variado entre a falta de pagamento da funerária e a retirada do corpo do caixão para um local não especificado, aumentando as suspeitas e o desespero dos parentes.

Burocracia no Comando Geral

​Em busca de respostas definitivas, familiares deslocaram-se ao Comando Geral da PRM em Maputo. De acordo com informações obtidas na secretaria, o documento que autoriza o transporte do corpo para Nampula estaria ainda pendente de assinatura no gabinete do Comandante-Geral, Bernardino Rafael.

“Ele serviu o país com sacrifício. Esteve no Teatro Operacional Norte, em Cabo Delgado, por mais de três vezes, e também no Centro. É doloroso ver este abandono agora que ele precisa do descanso final”, desabafou um familiar indignado.

Receio de Decomposição

​A maior preocupação da família agora reside no estado de conservação do corpo, dado o tempo decorrido desde o óbito. Apesar do receio de uma decomposição avançada, os parentes reafirmam o compromisso de realizar o funeral em Nampula assim que o Ministério do Interior liberar os restos mortais.

​Até ao momento, não houve um pronunciamento oficial por parte do Ministério do Interior ou do Comando Geral da PRM para esclarecer os motivos reais da retenção e o atraso no pagamento dos serviços fúnebres.

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