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Polícia ainda investiga assassinato de Dias e Guambe, um ano depois

A Polícia de Moçambique informou à Lusa que as investigações sobre o duplo homicídio de Elvino Dias e Paulo Guambe, apoiantes do ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, ainda estão em andamento, quase um ano após o crime.

Segundo João Adriano, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) em Maputo, “está a ser desenvolvido um trabalho contínuo para esclarecer o processo”.

O duplo homicídio, ocorrido na noite de 18 para 19 de outubro de 2024, logo após as eleições gerais, aconteceu em pleno centro da cidade de Maputo e envolveu dezenas de disparos contra os veículos que transportavam os apoiantes de Mondlane. Elvino Dias, de 45 anos, conhecido como o “advogado do povo”, e Paulo Guambe, mandatário do PODEMOS, foram mortos no local.

O incidente provocou manifestações populares dois dias depois, reprimidas pela Polícia, e marcou o início de uma contestação pós-eleitoral que durou mais de cinco meses.

O porta-voz do Sernic alertou que, devido à sensibilidade e complexidade do caso, ainda não é seguro divulgar informações detalhadas ou nomes de suspeitos. “Estamos a trabalhar para esclarecer o que aconteceu”, disse.

Mondlane questiona Justiça

Em declarações à Lusa no dia 15 de outubro de 2025, Venâncio Mondlane responsabilizou os “esquadrões da morte” pelo assassinato dos seus apoiantes e afirmou que, sob o atual regime, dificilmente haverá justiça.

“Com o sistema judiciário atual, será muito difícil termos justiça. Por isso, precisamos de pressão popular e internacional para que não continuemos a viver neste sistema”, afirmou Mondlane, apelando a sociedade, jornalistas, académicos e organismos internacionais a pressionarem o Governo.

O político classificou ainda o regime como responsável por crimes contra o próprio povo e destacou a necessidade de protestos nacionais para exigir esclarecimento e responsabilização.

Contexto pós-eleitoral

A morte de Dias e Guambe ocorreu no contexto de eleições de 9 de outubro de 2024, nas quais o Conselho Constitucional declarou Daniel Chapo vencedor, com 65,17% dos votos, enquanto Venâncio Mondlane obteve 24%, resultados que nunca reconheceu.

Segundo a plataforma eleitoral Decide, pelo menos 388 pessoas foram mortas e mais de 800 feridas durante os cinco meses de protestos pós-eleitorais, sendo 90% das vítimas atingidas por tiros com munição real.

O caso permanece um símbolo da tensão política e da insegurança em Moçambique, evidenciando a necessidade de investigação e justiça efetivas.

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