Saúde – NotiMz https://notimz.com O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS RÁPIDAS E CONFIÁVEIS Sun, 20 Sep 2026 22:57:33 +0000 pt-BR hourly 1 https://notimz.com/wp-content/uploads/2026/09/cropped-ChatGPT-Image-20_09_2026-22_16_30-32x32.png Saúde – NotiMz https://notimz.com 32 32 Relatório inédito da ONU expõe violência sexual generalizada em Cabo Delgado https://notimz.com/2026/09/20/relatorio-inedito-da-onu-expoe-violencia-sexual-generalizada-em-cabo-delgado-2/ https://notimz.com/2026/09/20/relatorio-inedito-da-onu-expoe-violencia-sexual-generalizada-em-cabo-delgado-2/#respond Sun, 20 Sep 2026 22:57:30 +0000 https://notimz.com/2026/09/20/relatorio-inedito-da-onu-expoe-violencia-sexual-generalizada-em-cabo-delgado-2/

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  • Raparigas raptadas são colocadas em linha e os homens armados escolhem

Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) sobre violência baseada no género, datado de 2024 e intitulado “As Vozes de Moçambique”, nunca foi tornado público. O documento, obtido pelo consórcio de investigação “Mozambique Exposed”, coordenado pela Forbidden Stories, revela uma escalada de violência sexual na província de Cabo Delgado desde o início do conflito, em 2017.

Evidências

Entre Janeiro e Abril de 2024, mais de uma centena de pessoas, vítimas, familiares, trabalhadores humanitários, líderes comunitários e religiosos, foram entrevistadas pela UNFPA em sete dos dezasseis distritos da região. O relatório, citado pela Rádio França Internacional, conclui que “um grande número de mulheres e raparigas foi raptado e submetido ao tráfico de seres humanos” por grupos armados não-governamentais.

O documento descreve o modus operandi dos insurgentes do Al Shabab, revelando que as raparigas raptadas são colocadas em linha e os homens armados escolhem as que serão obrigadas a casar; as restantes passam a ser escravas do grupo, transportando material dos combatentes, cozinhando e apanhando lenha.

“Quando nos queriam castigar, amarravam-nos as mãos atrás das costas e deixavam-nos assim durante três dias. Durante esse tempo, qualquer homem que quisesse podia vir violar-nos”, contou uma vítima à UNFPA.

O relatório regista ainda casos de tortura, execuções extra-judiciais e utilização de mulheres e crianças como escudos humanos pelos Al Shabab. As sobreviventes que conseguem escapar enfrentam, muitas vezes, a rejeição das suas próprias comunidades, que suspeitam que os filhos por elas gerados sejam fruto da violência dos terroristas.

De forma igualmente preocupante, o relatório revela que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) estão na origem de numerosos actos de violência sexual. São relatados muitos casos de assédio sexual e violação.

“Ontem, um oficial ofereceu bebidas a uma rapariga de 15 ou 16 anos. Depois exigiu algo em troca. Como ela não tinha dinheiro, obrigou-a a ter relações sexuais com ele. Há um motel mesmo ao lado. Ouvíamo-la gritar e chorar”, relatou uma fonte à ONU.

Prostituição e exploração sexual ligada ao gás

O relatório refere ainda um aumento da prostituição, particularmente entre as comunidades deslocadas, que ficam vulneráveis a abusos cometidos por militares, líderes comunitários e até trabalhadores humanitários. O documento aponta numerosos casos em que as vítimas são obrigadas a trocar favores sexuais para terem acesso à ajuda.

Outro fator que alimenta este fenómeno é o aguardado “boom” do gás. Em 2012, foi descoberta ao largo de Palma uma das maiores reservas de gás natural do mundo. Segundo o relatório, “homens de negócios foram acusados de participar na exploração sexual”, trabalhando para grupos privados, sobretudo em Palma.

“Dizem às mulheres e às raparigas que, se tiverem relações sexuais com eles, conseguirão emprego. Mas o trabalho nunca aparece”, explica uma fonte do UNFPA.

Segundo um porta-voz do UNFPA, citado pela RFI, embora o relatório nunca tenha sido tornado público, foi utilizado para definir programas humanitários.

“Permaneceu em estado de rascunho por razões de qualidade. Em 2024, havia muitas questões em curso no país e numerosas necessidades de programação. A finalização deste relatório para o público externo não foi uma prioridade”, afirmou o porta-voz.

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Relatório inédito da ONU expõe violência sexual generalizada em Cabo Delgado https://notimz.com/2026/09/20/relatorio-inedito-da-onu-expoe-violencia-sexual-generalizada-em-cabo-delgado/ https://notimz.com/2026/09/20/relatorio-inedito-da-onu-expoe-violencia-sexual-generalizada-em-cabo-delgado/#respond Sun, 20 Sep 2026 22:57:24 +0000 https://notimz.com/2026/09/20/relatorio-inedito-da-onu-expoe-violencia-sexual-generalizada-em-cabo-delgado/

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  • Raparigas raptadas são colocadas em linha e os homens armados escolhem

Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) sobre violência baseada no género, datado de 2024 e intitulado “As Vozes de Moçambique”, nunca foi tornado público. O documento, obtido pelo consórcio de investigação “Mozambique Exposed”, coordenado pela Forbidden Stories, revela uma escalada de violência sexual na província de Cabo Delgado desde o início do conflito, em 2017.

Evidências

Entre Janeiro e Abril de 2024, mais de uma centena de pessoas, vítimas, familiares, trabalhadores humanitários, líderes comunitários e religiosos, foram entrevistadas pela UNFPA em sete dos dezasseis distritos da região. O relatório, citado pela Rádio França Internacional, conclui que “um grande número de mulheres e raparigas foi raptado e submetido ao tráfico de seres humanos” por grupos armados não-governamentais.

O documento descreve o modus operandi dos insurgentes do Al Shabab, revelando que as raparigas raptadas são colocadas em linha e os homens armados escolhem as que serão obrigadas a casar; as restantes passam a ser escravas do grupo, transportando material dos combatentes, cozinhando e apanhando lenha.

“Quando nos queriam castigar, amarravam-nos as mãos atrás das costas e deixavam-nos assim durante três dias. Durante esse tempo, qualquer homem que quisesse podia vir violar-nos”, contou uma vítima à UNFPA.

O relatório regista ainda casos de tortura, execuções extra-judiciais e utilização de mulheres e crianças como escudos humanos pelos Al Shabab. As sobreviventes que conseguem escapar enfrentam, muitas vezes, a rejeição das suas próprias comunidades, que suspeitam que os filhos por elas gerados sejam fruto da violência dos terroristas.

De forma igualmente preocupante, o relatório revela que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) estão na origem de numerosos actos de violência sexual. São relatados muitos casos de assédio sexual e violação.

“Ontem, um oficial ofereceu bebidas a uma rapariga de 15 ou 16 anos. Depois exigiu algo em troca. Como ela não tinha dinheiro, obrigou-a a ter relações sexuais com ele. Há um motel mesmo ao lado. Ouvíamo-la gritar e chorar”, relatou uma fonte à ONU.

Prostituição e exploração sexual ligada ao gás

O relatório refere ainda um aumento da prostituição, particularmente entre as comunidades deslocadas, que ficam vulneráveis a abusos cometidos por militares, líderes comunitários e até trabalhadores humanitários. O documento aponta numerosos casos em que as vítimas são obrigadas a trocar favores sexuais para terem acesso à ajuda.

Outro factor que alimenta este fenómeno é o aguardado “boom” do gás. Em 2012, foi descoberta ao largo de Palma uma das maiores reservas de gás natural do mundo. Segundo o relatório, “homens de negócios foram acusados de participar na exploração sexual”, trabalhando para grupos privados, sobretudo em Palma.

“Dizem às mulheres e às raparigas que, se tiverem relações sexuais com eles, conseguirão emprego. Mas o trabalho nunca aparece”, explica uma fonte do UNFPA.

Segundo um porta-voz do UNFPA, citado pela RFI, embora o relatório nunca tenha sido tornado público, foi utilizado para definir programas humanitários.

“Permaneceu em estado de rascunho por razões de qualidade. Em 2024, havia muitas questões em curso no país e numerosas necessidades de programação. A finalização deste relatório para o público externo não foi uma prioridade”, afirmou o porta-voz.

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Moçambique e Brasil perspectivam criação do primeiro centro de hemoderivados https://notimz.com/2026/09/20/mocambique-e-brasil-perspectivam-criacao-do-primeiro-centro-de-hemoderivados/ https://notimz.com/2026/09/20/mocambique-e-brasil-perspectivam-criacao-do-primeiro-centro-de-hemoderivados/#respond Sun, 20 Sep 2026 22:57:16 +0000 https://notimz.com/2026/09/20/mocambique-e-brasil-perspectivam-criacao-do-primeiro-centro-de-hemoderivados/

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Moçambique e Brasil perspectivam a criação do primeiro centro de hemoderivados do país, uma unidade destinada ao processamento de componentes do sangue para utilização em diversos tratamentos médicos, com o objectivo de reforçar a capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde (SNS).

A perspectiva foi anunciada esta terça-feira, em Maputo, pelo ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, no âmbito da visita oficial do seu homólogo brasileiro, Alexandre Padilha, durante a qual os dois países reafirmaram novos compromissos de cooperação no sector da saúde.

Segundo Ussene Isse, a criação do centro representa um passo estratégico para o fortalecimento do sistema de saúde moçambicano, permitindo ao país desenvolver capacidade própria para o aproveitamento de componentes do sangue utilizados no tratamento de várias doenças.

“Um dos aspectos importantes que lançamos nesta cooperação é a criação do primeiro centro de hemoderivados. São componentes do sangue importantes para salvar vidas e o Brasil tem uma experiência enorme sobre este aspecto. Também manifestou a sua disponibilidade para ajudar Moçambique a implantar o primeiro centro de hemoderivados”, afirmou.

O governante explicou que, para a concretização deste projecto, será necessário reforçar a organização do sistema nacional de sangue, através da aprovação de uma política nacional e da criação de estruturas especializadas que assegurem a recolha, processamento e utilização segura dos componentes sanguíneos.

“Não temos ainda o Serviço Nacional de Sangue, mas precisamos avançar um pouco mais, primeiro com uma política nacional de sangue, mas também com uma unidade, um centro de hemoderivados, dos componentes do sangue, que será um grande ganho para salvar vidas no nosso país”, acrescentou.

Por sua vez, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, assegurou que o seu país continuará a apoiar Moçambique no fortalecimento do sistema nacional de saúde, não apenas na área dos hemoderivados, mas também na formação de profissionais, na modernização tecnológica e na expansão da produção local de medicamentos e vacinas.

“Estaremos junto do povo de Moçambique, do Ministério da Saúde de Moçambique e do Governo de Moçambique para os próximos passos desta cooperação”, afirmou.

Padilha explicou ainda que a cooperação entre os dois países inclui o fortalecimento da capacidade regulatória de medicamentos, através da colaboração entre a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos de Moçambique e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Brasil, bem como a mobilização de empresas brasileiras interessadas em investir na produção de medicamentos e vacinas em território moçambicano.

Além do centro de hemoderivados, os dois países anunciaram novas áreas de cooperação, incluindo o apoio aos centros de oncologia, a formação de especialistas em neonatologia, neurocirurgia e ortopedia, a expansão dos bancos de leite humano para as regiões Centro e Norte do país e o fortalecimento da Escola de Saúde Pública de Moçambique.

A cooperação entre Moçambique e Brasil no sector da saúde tem mais de cinco décadas e abrange iniciativas de formação de recursos humanos, investigação científica, desenvolvimento institucional e melhoria das infra-estruturas sanitárias, com destaque para a parceria entre o Ministério da Saúde de Moçambique e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), considerada uma das principais instituições de saúde pública do Brasil.

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O investimento para aproximar os moçambicanos da cirurgia https://notimz.com/2026/09/20/o-investimento-para-aproximar-os-mocambicanos-da-cirurgia/ https://notimz.com/2026/09/20/o-investimento-para-aproximar-os-mocambicanos-da-cirurgia/#respond Sun, 20 Sep 2026 22:57:08 +0000 https://notimz.com/2026/09/20/o-investimento-para-aproximar-os-mocambicanos-da-cirurgia/

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Quatrocentas e setenta e cinco camas, 14 salas de operações, oito pisos e um investimento de 42 milhões de dólares. A construção do Centro Cirúrgico Nacional arranca numa altura em que Moçambique procura reforçar a capacidade de realizar tratamentos altamente especializados no país e aliviar a pressão sobre um sistema que mobiliza cerca de três mil milhões de meticais por ano para a Junta Médica, a hemodiálise e a comparticipação de medicamentos.

A nova unidade, cuja primeira pedra foi lançada esta segunda-feira pelo Presidente da República, Daniel Chapo, será construída no Hospital Central de Maputo e resulta da cooperação entre os Governos de Moçambique e da República Popular da China.

O projecto prevê um edifício com cerca de 20.300 metros quadrados distribuídos por oito pisos, integrando 475 camas, 14 blocos operatórios, unidades de cuidados intensivos, serviços de urgência, imagiologia, laboratórios, farmácia e outras áreas de apoio clínico. Segundo a Presidência da República, um dos principais objectivos é reduzir a necessidade de transferir doentes para tratamento no exterior, reforçando simultaneamente a capacidade nacional de resposta em cirurgia especializada.

O investimento responde a um desafio há muito identificado pelos especialistas. Num estudo publicado na revista World Journal of Surgery, os investigadores concluem que “a prestação de cuidados cirúrgicos em Moçambique está abaixo das metas internacionais”, identificando apenas 54 hospitais com capacidade para realizar cirurgias e estimando que 44,9% da população vive em distritos sem acesso a este tipo de cuidados. O mesmo estudo calcula que o país realiza cerca de 367 intervenções cirúrgicas por cada 100 mil habitantes, um indicador que evidencia as limitações da oferta nacional.

O diagnóstico coincide com uma preocupação mais ampla da comunidade científica internacional. No relatório Global Surgery 2030, a Comissão Lancet defende que “a cirurgia é uma parte indivisível e indispensável dos cuidados de saúde” e sustenta que os objectivos da cobertura universal de saúde não poderão ser alcançados sem garantir serviços cirúrgicos seguros, acessíveis e financeiramente comportáveis. Para a Comissão, o défice de acesso à cirurgia constitui não apenas um problema clínico, mas também um obstáculo ao desenvolvimento económico e social.

“É neste contexto que ganha importância a redução das evacuações médicas. Embora o Ministério da Saúde não discrimine quanto desse montante corresponde exclusivamente à Junta Médica, o Governo reconhece que as despesas com tratamentos no exterior, a hemodiálise e a comparticipação de medicamentos representam um encargo anual de cerca de três mil milhões de meticais para o Estado e os parceiros. A expectativa é que o reforço da capacidade instalada permita, progressivamente, reduzir parte dessa pressão financeira.”

A necessidade de aumentar a capacidade instalada também tem sido reconhecida pelos responsáveis do Hospital Central de Maputo. Em 2024, o director-geral da unidade, Atílio Morais, afirmou que o hospital procura “alargar e aumentar a nossa capacidade de resposta”, reconhecendo que os indicadores cirúrgicos dos países africanos de baixo rendimento continuam aquém das necessidades. A nova infraestrutura deverá permitir concentrar tecnologia, equipas especializadas e blocos operatórios num espaço dedicado à cirurgia altamente diferenciada.

Com cerca de 1.500 camas, o Hospital Central de Maputo continuará a ser o principal hospital de referência do país. O Centro Cirúrgico Nacional funcionará como uma expansão dessa capacidade, permitindo realizar um maior número de procedimentos complexos em território nacional e reduzindo gradualmente a necessidade de recorrer a hospitais estrangeiros.

Mais do que acrescentar um novo edifício ao sistema nacional de saúde, o projecto procura responder a um desafio estrutural: aproximar os cuidados cirúrgicos especializados dos cidadãos, reduzir a dependência de tratamentos realizados fora do país e reforçar a autonomia de Moçambique numa das áreas mais exigentes da medicina contemporânea.

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Moçambique inicia construção dum mega-centro cirúrgico com 475 camas e 14 salas de operações https://notimz.com/2026/09/20/mocambique-inicia-construcao-dum-mega-centro-cirurgico-com-475-camas-e-14-salas-de-operacoes/ https://notimz.com/2026/09/20/mocambique-inicia-construcao-dum-mega-centro-cirurgico-com-475-camas-e-14-salas-de-operacoes/#respond Sun, 20 Sep 2026 22:57:02 +0000 https://notimz.com/2026/09/20/mocambique-inicia-construcao-dum-mega-centro-cirurgico-com-475-camas-e-14-salas-de-operacoes/

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  • Avaliado em USD 42 milhões, o centro cirúrgico pode pôr fim à dependência de hospitais estrangeiros

Quatrocentas e setenta e cinco camas, 14 salas de operações, oito pisos e um investimento de 42 milhões de dólares. A construção do Centro Cirúrgico Nacional arranca numa altura em que Moçambique procura reforçar a capacidade de realizar tratamentos altamente especializados no país e aliviar a pressão sobre um sistema que mobiliza cerca de três mil milhões de meticais por ano para a Junta Médica, a hemodiálise e a comparticipação de medicamentos.

A nova unidade, cuja primeira pedra foi lançada esta segunda-feira pelo Presidente da República, Daniel Chapo, será construída no Hospital Central de Maputo e resulta da cooperação entre os Governos de Moçambique e da República Popular da China.

O projecto prevê um edifício com cerca de 20.300 metros quadrados distribuídos por oito pisos, integrando 475 camas, 14 blocos operatórios, unidades de cuidados intensivos, serviços de urgência, imagiologia, laboratórios, farmácia e outras áreas de apoio clínico. Segundo a Presidência da República, um dos principais objectivos é reduzir a necessidade de transferir doentes para tratamento no exterior, reforçando simultaneamente a capacidade nacional de resposta em cirurgia especializada.

O investimento responde a um desafio há muito identificado pelos especialistas. Num estudo publicado na revista World Journal of Surgery, os investigadores concluem que “a prestação de cuidados cirúrgicos em Moçambique está abaixo das metas internacionais”, identificando apenas 54 hospitais com capacidade para realizar cirurgias e estimando que 44,9% da população vive em distritos sem acesso a este tipo de cuidados. O mesmo estudo calcula que o país realiza cerca de 367 intervenções cirúrgicas por cada 100 mil habitantes, um indicador que evidencia as limitações da oferta nacional.

O diagnóstico coincide com uma preocupação mais ampla da comunidade científica internacional. No relatório Global Surgery 2030, a Comissão Lancet defende que “a cirurgia é uma parte indivisível e indispensável dos cuidados de saúde” e sustenta que os objectivos da cobertura universal de saúde não poderão ser alcançados sem garantir serviços cirúrgicos seguros, acessíveis e financeiramente comportáveis. Para a Comissão, o défice de acesso à cirurgia constitui não apenas um problema clínico, mas também um obstáculo ao desenvolvimento económico e social.

“É neste contexto que ganha importância a redução das evacuações médicas. Embora o Ministério da Saúde não discrimine quanto desse montante corresponde exclusivamente à Junta Médica, o Governo reconhece que as despesas com tratamentos no exterior, a hemodiálise e a comparticipação de medicamentos representam um encargo anual de cerca de três mil milhões de meticais para o Estado e os parceiros. A expectativa é que o reforço da capacidade instalada permita, progressivamente, reduzir parte dessa pressão financeira.”

A necessidade de aumentar a capacidade instalada também tem sido reconhecida pelos responsáveis do Hospital Central de Maputo. Em 2024, o director-geral da unidade, Atílio Morais, afirmou que o hospital procura “alargar e aumentar a capacidade de resposta”, reconhecendo que os indicadores cirúrgicos dos países africanos de baixo rendimento continuam aquém das necessidades. A nova infra-estrutura deverá permitir concentrar tecnologia, equipas especializadas e blocos operatórios num espaço dedicado à cirurgia altamente diferenciada.

Com cerca de 1.500 camas, o Hospital Central de Maputo continuará a ser o principal hospital de referência do país. O Centro Cirúrgico Nacional funcionará como uma expansão dessa capacidade, permitindo realizar um maior número de procedimentos complexos em território nacional e reduzindo gradualmente a necessidade de recorrer a hospitais estrangeiros.

Mais do que acrescentar um novo edifício ao sistema nacional de saúde, o projecto procura responder a um desafio estrutural: aproximar os cuidados cirúrgicos especializados dos cidadãos, reduzir a dependência de tratamentos realizados fora do país e reforçar a autonomia de Moçambique numa das áreas mais exigentes da medicina contemporânea.

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Inoperância de máquina de radioterapia continua a ceifar vidas e matar sonhos no país https://notimz.com/2026/09/20/inoperancia-de-maquina-de-radioterapia-continua-a-ceifar-vidas-e-matar-sonhos-no-pais/ https://notimz.com/2026/09/20/inoperancia-de-maquina-de-radioterapia-continua-a-ceifar-vidas-e-matar-sonhos-no-pais/#respond Sun, 20 Sep 2026 22:56:52 +0000 https://notimz.com/2026/09/20/inoperancia-de-maquina-de-radioterapia-continua-a-ceifar-vidas-e-matar-sonhos-no-pais/

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  • Mesmo após o fim das Manifestações

No Hospital Central de Maputo (HCM), a maior unidade sanitária do país, o tempo deixou de ser apenas uma questão de espera. Para centenas de doentes com cancro, cada dia sem radioterapia representa uma batalha perdida contra uma doença que avança sem dar tréguas. A única máquina de radioterapia existente em Moçambique aproxima-se de um ano de paralisação, sem que as autoridades sanitárias apresentem uma data concreta para a retoma dos tratamentos. O equipamento, um acelerador linear de alta tecnologia, voltou a avariar em Novembro de 2025, apenas dois meses depois da sua pomposa reinauguração, deixando novamente os pacientes oncológicos sem acesso a um serviço considerado essencial no combate ao cancro. Enquanto o aparelho permanece inoperacional, o Ministério da Saúde e o Hospital Central de Maputo trocam responsabilidades, num cenário marcado por silêncio institucional e incerteza, transformando o serviço de oncologia num verdadeiro corredor da morte.

Elísio Nuvunga

Enquanto as autoridades garantem que trabalham para resolver o problema, doentes continuam a morrer à espera de um tratamento que nunca chega há mais de um ano. E enquanto o equipamento permanece inoperacional, nos corredores do Hospital Central de Maputo (HCM) e nas casas de centenas de famílias espalhadas pelo país, trava-se uma batalha silenciosa contra uma doença que não espera por burocracias: o cancro.

Há doentes que chegam ao fim da linha antes de conseguirem iniciar o tratamento. Outros, com algum apoio financeiro, organizam campanhas de solidariedade ou procuram uma alternativa além-fronteiras, no Malawi, África do Sul ou Índia. Para quem não tem recursos, resta aguardar numa fila onde cada dia pode significar a diferença entre a esperança e a perda.

Foi exactamente isso o que aconteceu com Marcelo Júnior, de 37 anos. Marcelo era técnico de reparação de electrodomésticos na Zambézia. Com o rendimento que conseguia consertando televisores, geleiras e outros aparelhos sustentava a esposa, Nádia, e os dois filhos, de seis e nove anos, respectivamente.

Tudo começou com uma pequena borbulha no braço. O que parecia um problema simples revelou-se um tumor maligno. Primeiro veio a amputação do braço, realizada em Quelimane. Depois a quimioterapia em Nampula. Mas o cancro continuou a espalhar-se.

Sem respostas nas unidades sanitárias da região norte, a família recebeu uma guia para Maputo, onde, pelo menos no papel, funciona o único serviço de radioterapia do país (que já não funciona).

Sem dinheiro para as passagens, familiares fizeram colectas. Um vídeo divulgado nas redes sociais sensibilizou o professor Jaleia, que mobilizou pessoas para financiarem a viagem aérea e garantir alojamento em Maputo, na esperança de poder finalmente ter tratamento adequado, mas foi debalde.

Quando finalmente chegaram ao Hospital Central de Maputo (HCM), ouviram aquilo que jamais imaginavam. A máquina que representava a luz no fundo do túnel simplesmente deixou de funcionar.

“A doutora disse que a máquina de radioterapia estava estragada há um ano. Não havia radioterapia para fazer”, recorda Nádia, viúva de Marcelo.

O “Nós não podemos fazer nada” que sentenciou Marcelo ao corredor da morte

Os médicos explicaram que o estado clínico já era muito grave. O tumor tinha aberto uma enorme ferida, havia infecção e já não existiam perspectivas de recuperação sem acesso à radioterapia.

“A doutora me chamou e disse: seja forte, como foi para chegar até Maputo. Nós não podemos fazer nada. O problema é grave”, revelou Nádia, acrescentando que o marido já estava a desenvolver outras doenças graves.

Marcelo permaneceu internado durante cerca de um mês. Sem melhorias, regressou à Zambézia via terrestre, numa viagem de centenas de quilómetros, porque já não havia dinheiro para regressar de avião.

“Em Maputo não tenho família, eu disse isso para a doutora que disse que tinha que regressar para continuar com quimioterapia. Depois disse que podíamos pegar Nagi (Transporte Inter-provincial) para voltar para casa, porque o professor Jaleia já nos tinha ajudado com o dinheiro de passagem que chegamos a Maputo”, conta.

A viagem de regresso à Zambézia foi feita já sem a esperança que o tinha levado a Maputo. Marcelo Júnior regressava deitado, incapaz de se mover, depois de uma passagem pelo Hospital Central de Maputo onde esperava encontrar a última possibilidade de tratamento. Mas encontrou uma porta fechada, pois a única máquina de radioterapia do país estava parada.

De volta à terra natal, a família já sabia que a luta seria contra o tempo. O tumor tinha avançado, o corpo estava debilitado e os sinais de despedida começavam a surgir.

“Ele dizia que já estava cansado de sofrer. Depois de duas semanas perdeu a fala. Deixou de responder. Acabou por morrer. Foi no dia 18 de Julho”, conta Nádia, com a voz marcada pelo sofrimento.

A doença de Marcelo não destruiu apenas o corpo do paciente. Também arrastou a esposa para uma batalha silenciosa de desgaste físico e emocional. Durante meses, Nádia acompanhou o marido entre hospitais, tratamentos e incertezas. Pelo caminho, desenvolveu problemas cardíacos e respiratórios, sofreu episódios de desmaio e perdeu o apetite devido ao desgaste permanente.

À medida que o tumor avançava, a ferida provocada pela doença agravava-se e o corpo de Marcelo passou a exalar um odor intenso provocado pela necrose dos tecidos. A situação afastou familiares, amigos e conhecidos que antes faziam parte da sua rotina.

“As pessoas já não conseguiam ficar perto dele por causa do cheiro”, recorda a esposa que, mesmo diante da dor e do abandono progressivo, permaneceu ao lado do marido até ao último suspiro. Foi ela quem lhe deu banho, alimentou, trocou a roupa e garantiu cuidados básicos quando a doença já lhe tinha retirado quase todas as forças.

Stive corre contra o tempo para salvar o braço

Aos 27 anos, o contabilista Stive Getimane vive uma corrida contra o tempo. O jovem descobriu que um tumor maligno ameaça o seu braço esquerdo e agora procura reunir cerca de 560 mil meticais para viajar à Índia, onde acredita ainda existir uma possibilidade de evitar a amputação.

A história começou com uma dor persistente no braço. Apaixonado por futebol, Stive pensou inicialmente que se tratava de uma lesão provocada por uma queda durante os jogos que disputava com amigos. Sem imaginar a gravidade da situação, continuou a sua rotina, esperando que o problema desaparecesse.

Com o agravamento das dores, decidiu procurar assistência médica. Os primeiros exames apontavam para uma infecção, diagnóstico que trouxe algum alívio.

“Pensava que fosse passar logo porque uma infecção não é algo assim tão grave. Não fiquei muito preocupado. Achei que fosse uma situação normal ou que o sangue estivesse coagulado”, recorda.

Mas novos exames revelaram uma realidade completamente diferente. As dores que já limitavam a sua actividade profissional e a vida diária eram provocadas por um tumor.

“Foi no dia 03 de Março deste ano. Fiz exames e fiquei internado durante dois dias”, conta.

O diagnóstico definitivo demorou cerca de dois meses, período marcado por atrasos até à realização da biópsia necessária para identificar o tipo de cancro.

Quando finalmente recebeu os resultados, Stive ouviu duas opções: amputar o braço em Moçambique ou procurar tratamento no exterior.

“A nível interno disseram-me que a única solução seria amputar o braço ou procurar tratamento na Índia. Já estamos há dois meses à espera da cirurgia. Reunimos a família e decidimos tentar arrecadar dinheiro para ir à Índia, porque ainda tenho esperança de salvar o braço”, afirma.

Agora, Stive e a família mobilizam esforços numa campanha de angariação de fundos. Para ele, a viagem representa mais do que um tratamento: é a tentativa de preservar o futuro profissional e pessoal.

Denise precisa de quase um milhão para continuar a lutar

Aos 25 anos, Denise enfrenta uma nova batalha contra o cancro do colo do útero. Diagnosticada em 2024, viu-se obrigada a procurar tratamento fora do país depois de não encontrar em Moçambique condições para realizar radioterapia.

No ano passado, familiares, amigos e desconhecidos uniram forças numa campanha solidária que permitiu financiar a sua deslocação ao Malawi, onde realizou as sessões de radioterapia recomendadas pelos médicos.

O tratamento devolveu-lhe esperança. Depois de concluir a terapia, regressou a Moçambique para continuar o acompanhamento médico, acreditando que o pior tinha ficado para trás.

Meses depois, novos exames de controlo voltaram a colocar a doença no centro da sua vida. Agora, Denise e a família precisam de cerca de 850 mil meticais para procurar novamente tratamento e tentar travar a progressão do cancro.

Uma máquina para mais de 34 milhões de moçambicanos

Enquanto alguns doentes procuram soluções fora das fronteiras nacionais, Moçambique continua dependente praticamente de uma única máquina de radioterapia instalada no Hospital Central de Maputo.

Para milhares de pacientes oncológicos, este equipamento representa a diferença entre controlar a doença ou assistir ao avanço do tumor sem alternativas terapêuticas.

Segundo especialistas em oncologia, cerca de metade dos doentes com cancro necessita de radioterapia em algum momento do tratamento. Sem este serviço, muitos casos deixam de ter perspectiva de cura e passam directamente para cuidados paliativos.

“A consequência é dramática. Doentes chegam demasiado tarde e consequentemente os tumores evoluem e as chances de a pessoa sobreviver diminuem dia após dia”, explicou um especialista do HCM.

Manifestações acabaram, mas a espera continua

Quando a máquina deixou de funcionar, num primeiro momento o Governo apontou os actos de vandalização ocorridos durante as manifestações pós-eleitorais como uma das causas da avaria.

Mas meses depois do regresso da normalidade às ruas, o serviço continuava suspenso. Em Agosto de 2025, os pacientes oncológicos voltaram a respirar esperança quando, com pompa e circunstância, foi anunciada a retoma dos serviço. Nessa fase a culpa já não era das manifestações, mas sim supostos sabotadores, segundo denunciou na ocasião o ministro da saúde.

Entretanto, em Novembro de 2025, o Governo confirmou que o único equipamento de radioterapia do país voltou a avariar no HCM, apenas dois meses depois de ter sido reinaugurado em Agosto pelo então ministro da Saúde, Ussene Isse.

“Infelizmente avariou e o trabalho agora é assegurar a recolocação e o seu funcionamento, por ser uma ferramenta importante para o atendimento dos nossos concidadãos em saúde. Está a ser feito todo o esforço”, declarou Inocêncio Impissa, porta-voz do Governo durante uma sessão do Conselho de Ministros.

Desde lá, já se passam nove meses. Para os doentes e as suas famílias, o maior inimigo é o tempo, pois, contra o cancro, cada dia de espera pode significar uma vida perdida.

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Epidemia da cólera supera 9,5 mil contágios e faz 89 vítimas mortais no País https://notimz.com/2026/09/20/epidemia-da-colera-supera-95-mil-contagios-e-faz-89-vitimas-mortais-no-pais/ https://notimz.com/2026/09/20/epidemia-da-colera-supera-95-mil-contagios-e-faz-89-vitimas-mortais-no-pais/#respond Sun, 20 Sep 2026 22:56:46 +0000 https://notimz.com/2026/09/20/epidemia-da-colera-supera-95-mil-contagios-e-faz-89-vitimas-mortais-no-pais/

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  • Tete e Nampula continuam a liderar o número de mortes, com mais de 80% dos óbitos
  • ONU disponibiliza até dois milhões de dólares para conter novos surtos

A epidemia da cólera continua a representar um dos maiores desafios de saúde pública em Moçambique. Desde o início do actual surto, em Setembro de 2025, a doença já infectou 9.553 pessoas e provocou 89 mortes em todo o País, segundo os dados mais recentes da Direcção Nacional de Saúde Pública (DNSP), referentes ao período compreendido entre 3 de Setembro de 2025 e 25 de Julho de 2026. Em comparação com o balanço divulgado no princípio de Junho, foram registados mais de 450 novos casos e três mortes adicionais.

Luísa Muhambe

A evolução da epidemia continua marcada por fortes desigualdades regionais. Tete permanece como o principal foco de transmissão, acumulando 2.974 casos e 33 óbitos. Cabo Delgado surge em segundo lugar em número de infecções, com 1.137 casos e oito mortes. Já Nampula contabiliza 986 doentes, mas lidera o número de vítimas mortais, com 39 óbitos, o equivalente a quase 44% de todas as mortes registadas no País.

Em Sofala foram confirmados 921 casos e quatro mortes, enquanto Manica soma 386 infectados e três óbitos. A Zambézia registou 146 casos e duas mortes.

No Sul do País, a incidência mantém-se residual. Gaza, a província de Maputo e a cidade de Maputo notificaram apenas um caso cada, sem qualquer registo de vítimas mortais.

Apesar do elevado número de infecções, a taxa de letalidade nacional permanece nos 0,9%, significativamente inferior à observada durante a vaga epidémica entre Outubro de 2024 e Julho de 2025, quando foram notificados 4.420 casos e 64 mortes, com especial incidência na província de Nampula.

A redução do ritmo de transmissão coincide com o fim da época chuvosa, período em que a proliferação da bactéria é favorecida pelas inundações e pela contaminação das fontes de água. No início do ano, pelo menos 42 distritos registavam focos activos da doença. Em Junho esse número reduziu para 16 e, segundo o balanço mais recente, apenas cinco distritos continuam a apresentar transmissão comunitária activa.

Os centros de tratamento recebem actualmente menos de dez novos pacientes por dia, reflectindo o abrandamento sazonal da epidemia.

Ainda assim, as autoridades sanitárias alertam que a cólera permanece uma ameaça recorrente, alimentada pelas dificuldades de acesso à água potável, pelo défice de saneamento básico e pelos frequentes eventos climáticos extremos, como ciclones e cheias.

Perante este cenário, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) aprovou um novo Quadro de Acção Antecipatória destinado a financiar intervenções antes que pequenos surtos evoluam para epidemias de grande dimensão.

O mecanismo associa a vigilância semanal dos casos de diarreia aquosa aguda à libertação automática de recursos de emergência, reduzindo o tempo de resposta das autoridades e dos parceiros humanitários. O plano prevê uma dotação inicial de até 1,7 milhões de euros para financiar a distribuição de purificadores de água, kits de higiene, medicamentos e equipas médicas nos distritos de maior risco.

Deste montante, cerca de 1,5 milhões de dólares serão disponibilizados através do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF) durante os dois anos de vigência do programa, com desembolsos de até 750 mil dólares por cada activação. O financiamento será complementado pelas agências das Nações Unidas presentes em Moçambique, elevando o pacote global para aproximadamente dois milhões de dólares.

Com esta estratégia, as Nações Unidas pretendem garantir que os recursos cheguem às comunidades vulneráveis antes que a propagação da doença atinja níveis críticos, privilegiando a prevenção em detrimento da resposta de emergência.

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WaterAid alerta para desafios na sustentabilidade das infraestruturas de água nos centros de saúde https://notimz.com/2026/09/20/wateraid-alerta-para-desafios-na-sustentabilidade-das-infraestruturas-de-agua-nos-centros-de-saude/ https://notimz.com/2026/09/20/wateraid-alerta-para-desafios-na-sustentabilidade-das-infraestruturas-de-agua-nos-centros-de-saude/#respond Sun, 20 Sep 2026 22:56:36 +0000 https://notimz.com/2026/09/20/wateraid-alerta-para-desafios-na-sustentabilidade-das-infraestruturas-de-agua-nos-centros-de-saude/

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  • Infra-estruturas em risco de parar por falta de manutenção

A sustentabilidade das infra-estruturas de água, saneamento e higiene nos centros de saúde primários esteve, ontem, em debate, em Maputo, num encontro que reúne instituições do Governo, sector da Saúde e parceiros de desenvolvimento. Organizado pela WaterAid Moçambique, o seminário pretende discutir mecanismos para garantir a operação, manutenção e financiamento das infra-estruturas construídas nas unidades sanitárias, mesmo depois do fim dos projectos.

Evidências

O encontro juntou representantes da Administração Nacional das Obras Públicas (ANOP), Ministério da Saúde, estruturas provinciais e distritais, Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estruturas (SDPI’s), parceiros de desenvolvimento e organizações que actuam no sector de Água, Saneamento e Higiene (ASH).

A preocupação surge num contexto em que a construção de uma infra-estrutura representa apenas o início do desafio. Sem recursos para manutenção, capacidade técnica e modelos claros de gestão, sistemas de abastecimento de água, instalações sanitárias e outras estruturas podem tornar-se inoperacionais, comprometendo a qualidade dos serviços prestados à população.

Durante o seminário, os participantes analisaram quem deve assumir a responsabilidade pela manutenção, que recursos estão disponíveis para responder às avarias e se os mecanismos existentes garantem a continuidade dos serviços. A capacidade técnica dos distritos e das próprias unidades sanitárias, bem como modelos de gestão capazes de reduzir o tempo de inoperacionalidade, também esteve em discussão.

Para a WaterAid, a sustentabilidade deve ser integrada desde a planificação dos projectos, incluindo a definição de responsabilidades, capacitação dos intervenientes, modelos de gestão e mecanismos de financiamento.

“A construção de uma infra-estrutura é apenas uma parte da equação. É necessário garantir que ela continue a funcionar e a prestar o serviço para o qual foi concebida”, defende Gaspar Sitefane, Director Nacional da WaterAid Moçambique.

O seminário analisou experiências desenvolvidas nos distritos de Cuamba, no Niassa, e Chongoene, em Gaza, além de resultados de um inquérito sobre o impacto das capacitações em gestão e manutenção.

O financiamento da operação e manutenção constitui outro dos pontos centrais. A discussão procura identificar mecanismos que assegurem recursos para manutenção preventiva e correctiva, evitando que pequenas avarias provoquem a paralisação prolongada dos sistemas.

Neste âmbito, foi apresentada a experiência da WaterAid Malawi sobre descentralização e alocação de fundos para unidades sanitárias primárias, como contributo para a identificação de soluções adaptáveis ao contexto moçambicano.

A expectativa é que o encontro resulte em medidas concretas para reforçar a operação, manutenção e financiamento das infra-estruturas de ASH. Para os participantes, a sustentabilidade destes sistemas está directamente ligada à qualidade dos serviços de saúde.

Uma unidade sanitária sem água suficiente, instalações sanitárias funcionais ou condições adequadas de higiene enfrenta maiores dificuldades para assegurar um atendimento seguro e digno. Por isso, a manutenção das infra-estruturas deve ser encarada como parte integrante do investimento na Saúde.

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Ministro da Saúde exige fim de cobranças ilícitas e desvio de medicamentos https://notimz.com/2026/09/20/ministro-da-saude-exige-fim-de-cobrancas-ilicitas-e-desvio-de-medicamentos/ https://notimz.com/2026/09/20/ministro-da-saude-exige-fim-de-cobrancas-ilicitas-e-desvio-de-medicamentos/#respond Sun, 20 Sep 2026 22:56:22 +0000 https://notimz.com/2026/09/20/ministro-da-saude-exige-fim-de-cobrancas-ilicitas-e-desvio-de-medicamentos/

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O Ministro da Saúde, Ussene Isse, exigiu esta quarta-feira, na cidade da Beira, o fim imediato das cobranças ilícitas, do mau atendimento aos pacientes e do desvio de medicamentos nas unidades sanitárias do país, durante a abertura da quinquagésima primeira Sessão do Conselho Coordenador de Saúde. O governante sublinhou que os hospitais públicos devem constituir espaços onde os cidadãos encontrem segurança, acolhimento e um tratamento pautado pela dignidade humana.

Interpelando os quadros e gestores do setor presentes no evento, o ministro apelou a uma maior proatividade na resolução de problemas operacionais e na fiscalização direta das infraestruturas de saúde.

“Temos que sair daqui da Beira como uma força colectiva para melhorar a saúde dos moçambicanos, é possível, temos desafios sim, mas é possível fazer a diferença . Temos que alcançar a cobertura universal e não deixar ninguém para trás e para este desafio precisamos de um empenho colectivo”, sustentou o governante.

No mesmo sentido, Ussene Isse criticou a dependência excessiva do nível central para a resolução de ocorrências básicas ao nível local, exigindo maior rigor e presença física dos diretores provinciais e gestores hospitalares nas unidades sob sua tutela.

“Directores províncias, gestores, não esperem o ministro resolver problemas locais, quando uma casa de banho esta suja no hospital, quando uma enfermaria esta suja, ninguém se preocupa e começam a ligar para o ministro da saúde, eu estou lá longe e sou chamado para resolver o problema, mas tenho lá alguém que também representa o Estado, mas não faz nada”, advertiu, apelando para uma mudança profunda de postura profissional e para o controlo apertado dos armazéns farmacêuticos.

 

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Ministro troca fato por pijama cirúrgico e lidera seis operações com sucesso na Beira https://notimz.com/2026/09/20/ministro-troca-fato-por-pijama-cirurgico-e-lidera-seis-operacoes-com-sucesso-na-beira/ https://notimz.com/2026/09/20/ministro-troca-fato-por-pijama-cirurgico-e-lidera-seis-operacoes-com-sucesso-na-beira/#respond Sun, 20 Sep 2026 22:56:06 +0000 https://notimz.com/2026/09/20/ministro-troca-fato-por-pijama-cirurgico-e-lidera-seis-operacoes-com-sucesso-na-beira/

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  • Ussene Isse em missão cirúrgica após o conselho coordenador
  • Paciente submetida à remoção de tumor de 1,27 kg poderá ter alta esta terça-feira

O ministro da Saúde, Ussene Isse, trocou o fato por um pijama cirúrgico e liderou, no sábado, uma equipa médica que realizou com sucesso seis cirurgias no Hospital Central da Beira. A missão, que culminou com a remoção de um tumor de 1,27 quilogramas do pescoço de uma paciente de 65 anos, foi preparada na noite de sexta-feira, quando o ministro, médico-cirurgião, deslocou-se à unidade sanitária para observar os doentes e avaliar as intervenções previstas.

Reginaldo Tchambule

O ministro da Saúde, que nas suas várias aparições públicas tem apelado aos profissionais do sector para uma maior humanização do atendimento hospitalar e para que sejam parte do legado que está a transformar os hospitais, fez jus à máxima de que é preciso “liderar pelo exemplo”.

Em vez de se limitar a recomendar aos médicos e técnicos de saúde que estejam mais próximos dos doentes, Ussene Isse saiu do discurso e entrou no bloco operatório, assumindo directamente a condução de uma equipa médica que, no sábado, realizou seis cirurgias com sucesso.

O gesto aconteceu poucos dias depois de o próprio ministro ter colocado a qualidade e a humanização dos serviços no centro da LI Sessão do Conselho Coordenador de Saúde. Ao trocar o fato por um pijama cirúrgico, Isse levou para o bloco operatório a mensagem que vinha defendendo nas sessões de trabalho: a mensagem de que a humanização não deve ficar confinada aos discursos, documentos ou reuniões do sector, mas traduzir-se em actos concretos que melhorem a vida dos pacientes.

Mais do que supervisionar à distância, o ministro, que é médico-cirurgião, juntou-se à equipa local, operou e partilhou conhecimentos com os profissionais que diariamente asseguram o funcionamento do Hospital Central da Beira.

A iniciativa permitiu, simultaneamente, responder a casos clínicos que exigiam intervenção especializada e criar uma oportunidade de aprendizagem prática para médicos residentes, transformando a missão numa combinação entre assistência médica, formação e liderança pelo exemplo.

Uma das beneficiárias é uma paciente, proveniente do distrito de Marromeu, que vivia há cerca de cinco anos com o tumor no pescoço. A intervenção, que durou aproximadamente três horas, permitiu a remoção de 1 quilo e 270 gramas da glândula tiróide, tendo decorrido com sucesso. A paciente apresenta uma evolução clínica favorável e poderá ter alta hospitalar nesta terça-feira.

Isse leva Agenda Nacional de Saúde para o bloco operatório

Para Ussene Isse, a missão cirúrgica traduz uma orientação do Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, para a implementação de uma Agenda Nacional de Saúde e de Proximidade, com foco na aproximação dos serviços ao cidadão e na melhoria da qualidade da assistência.

“Estamos a cumprir uma recomendação de sua Excelência Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, que orientou o sector para que fizéssemos e implementássemos uma Agenda Nacional de Saúde e de Proximidade. Saúde próxima do povo e com o povo”, destacou.

Com 55 anos e mais de três décadas de experiência como especialista em cirurgia geral, o ministro explicou que a iniciativa também responde ao compromisso de humanização dos serviços de saúde, defendido durante a LI Sessão do Conselho Coordenador de Saúde.

“Por um lado, saúde próxima do povo e com o povo, mas, por outro lado também, dedicar aquilo que a gente pode doar para os que de facto precisam, que é o amor ao próximo. E isto enquadra-se naquela agenda nacional nossa que tem a ver com qualidade e humanização, que foi o lema do nosso Conselho Coordenador”, afirmou.

Isse defendeu que os profissionais de saúde devem colocar os seus conhecimentos e experiência ao serviço dos cidadãos, sobretudo daqueles que precisam de cuidados especializados.

“Esta é a nossa missão como profissionais de saúde, contribuirmos para salvar vidas. No Ministério da Saúde, o nosso maior valor é a vida”, sublinhou Isse, acrescentando que o modelo de intervenção deverá ser replicado nas unidades sanitárias por onde passar o ministro, sempre que existam condições para a realização de cirurgias.

Uma missão que começou antes do bloco operatório

A missão cirúrgica começou na noite de sexta-feira, poucas horas depois de Ussene Isse dirigir o encerramento da LI Sessão do Conselho Coordenador de Saúde, realizada na Cidade da Beira sob o lema “Por um Serviço Nacional de Saúde de qualidade e humanizado para todos”.

Na ocasião, o ministro deslocou-se ao Hospital Central da Beira para observar os doentes planificados para cirurgia no sábado. Médico-cirurgião, avaliou pessoalmente os pacientes, inteirando-se do seu estado clínico e dos procedimentos preparatórios para as operações.

A visita permitiu preparar, com a equipa local, as intervenções cirúrgicas previstas para o dia seguinte, num exercício que combinou a avaliação clínica dos doentes com a transmissão de conhecimentos aos profissionais da unidade sanitária.

No sábado, a avaliação dos doentes deu lugar à intervenção directa no bloco operatório. Isse trocou o fato por um pijama cirúrgico e liderou a equipa médica que realizou seis cirurgias com sucesso, numa missão que combinou assistência especializada e formação prática.

Para além da paciente de Marromeu, outros cinco pacientes, com diferentes enfermidades, entre as quais cancro da mama, foram igualmente operados com sucesso no sábado.

Outros cinco pacientes operados com sucesso

As intervenções tiveram também uma componente de formação, tendo constituído uma oportunidade de aprendizagem prática para médicos residentes, que acompanharam os procedimentos e beneficiaram da transmissão de conhecimentos e experiência durante as cirurgias.

A chefe da equipa de cirurgia do Hospital Central da Beira explicou que a paciente de Marromeu apresentava uma patologia com mais de cinco anos de evolução e um tumor de dimensão considerável, cuja remoção exigia uma intervenção especializada.

“Quando chegou aqui às nossas unidades sanitárias, nós, vendo a dimensão do problema, vendo o tumor, a extensão, a localização, como sabíamos que Sua Excelência, que é o nosso professor profissional, vinha para cá, então queríamos esperar para poder fazer essa cirurgia com ele, para poder aprender muito mais ainda”, destacou.

Segundo a médica, a presença do ministro constituiu uma oportunidade para a equipa local realizar a cirurgia sob a sua orientação e aprofundar conhecimentos técnicos.

Refira-se que na manhã deste domingo, Ussene Isse regressou ao Hospital Central da Beira para acompanhar a recuperação da paciente, inteirando-se pessoalmente da sua evolução clínica após a intervenção cirúrgica.

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