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População dá prazo de 7 dias ao governo para travar abusos de mineradora russa – Times de Todos

Comunidade denuncia que bolsas de estudo foram entregues a filhos de dirigentes, enquanto a exploração mineira destrói as dunas de proteção da costa.

PEBANE, ZAMBÉZIA – O distrito de Pebane vive dias de extrema tensão. A convivência entre os residentes e a mineradora de capital russo Tazeta Ressource atingiu um ponto de rutura. Após cinco anos de exploração mineira na costa do Índico, a comunidade local quebra o silêncio para denunciar um rasto de promessas falhadas, danos ambientais e o que chamam de “traição institucional”.

Promessas no Papel e Favorecimento de Elites

​O sonho de desenvolvimento que a mineradora trouxe na bagagem — incluindo novas escolas e hospitais — nunca saiu do papel. Contudo, a acusação mais grave prende-se com as bolsas de estudo. Segundo os moradores, as oportunidades de formação destinadas aos jovens de Pebane foram “desviadas” para beneficiar descendentes de ministros e figuras de relevo no governo provincial.

Alerta Ambiental: Dunas em Perigo

​A atividade da Tazeta Ressource está a ser apontada como o principal motor da degradação das dunas costeiras. Sem esta barreira natural, Pebane fica exposta à erosão e ao avanço descontrolado das águas do mar, pondo em risco a segurança física de toda a região litoral.

​”A empresa não é transparente e ignora as leis de Moçambique”, afirma o líder comunitário Rashid Radad, que desvaloriza as justificações de crise financeira dadas pela mineradora para não cumprir os seus deveres sociais.

Ultimato de 7 Dias

​Cansados do silêncio das autoridades, os residentes emitiram um aviso claro: o Governo tem uma semana para intervir e mediar o conflito. Caso não haja uma resposta concreta até ao final do prazo, a comunidade promete avançar com medidas de pressão direta para proteger o seu território e garantir que a riqueza extraída do seu solo não sirva apenas para enriquecer elites distantes.

​O caso de Pebane torna-se agora um símbolo do conflito entre a indústria extrativa e os direitos das populações locais em Moçambique, onde o progresso prometido raramente chega a quem vive em cima dos recursos.

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