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Governo corta internet e suspende ONGs de direitos humanos antes do voto. – Times de Todos

KAMPALA – O cenário político no Uganda agravou-se drasticamente esta terça-feira, 13 de janeiro de 2026. Num movimento coordenado que isola o país do resto do mundo, as autoridades determinaram o bloqueio das comunicações digitais e a suspensão imediata de cinco das mais influentes organizações de direitos humanos, a apenas 48 horas da abertura das urnas.

O Isolamento Digital: Internet Fora de Serviço

A Comissão de Comunicações do Uganda (UCC) oficializou, através de uma diretiva enviada a todos os operadores de rede, o corte do acesso público à internet. A medida, que entrou em vigor às 18h00, inclui restrições severas:

  • Bloqueio Total: Suspensão do acesso à rede mundial de computadores e serviços móveis.
  • Controlo de Cartões SIM: Proibição da venda e do registo de novos cartões.
  • Roaming Restrito: Corte de dados para países da região (“One Network Area”).

O governo justifica o “apagão” como uma medida de segurança nacional, alegando a necessidade de travar a desinformação e prevenir a incitação à violência durante o período eleitoral.

Golpe na Sociedade Civil

Simultaneamente, o governo silenciou os principais observadores internos. Sem apresentar justificações detalhadas, o Executivo suspendeu as atividades de grupos fundamentais para a transparência do pleito, entre os quais:

  • Chapter Four Uganda (Defesa de liberdades civis);
  • ACFIM (Monitorização de financiamento eleitoral);
  • HRNJ-Uganda (Rede de direitos humanos para jornalistas);
  • Fórum Nacional de ONGs e a Coligação de Defensores de Direitos Humanos.

Impacto na Transparência

Analistas internacionais e ativistas locais alertam que esta combinação de medidas cria um “vácuo de informação” perigoso. Sem internet para denunciar irregularidades e sem ONGs para monitorizar as assembleias de voto, a integridade do processo eleitoral de quinta-feira fica seriamente comprometida, levantando dúvidas sobre a legitimidade dos resultados num país governado há décadas por Yoweri Museveni.

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