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Governo da Bulgária cai após semanas de protestos massivos contra a corrupção – Times de Todos

O governo da Bulgária apresentou a sua renúncia após semanas de protestos em massa contra a corrupção e as políticas económicas do executivo. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Rosen Zhelyazkov, pouco antes de o parlamento votar uma moção de censura apresentada pela oposição.

Em declaração transmitida pela televisão, Zhelyazkov afirmou que a coligação governamental avaliou o momento político e concluiu que já não reunia condições para continuar no poder. “O nosso desejo é corresponder às expectativas da sociedade. O poder emana da voz do povo”, declarou, reconhecendo a pressão popular.

Após uma reunião com os líderes dos partidos que integravam o governo, o primeiro-ministro destacou que cidadãos de diferentes idades, origens étnicas e confissões religiosas participaram nos protestos, defendendo a saída do executivo. Segundo ele, essa mobilização cívica deveria ser respeitada e valorizada.

Na noite anterior ao anúncio, dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se em Sófia e noutras cidades do país, entoando palavras de ordem a exigir a renúncia do governo. Cartazes com mensagens de indignação e caricaturas de políticos marcaram os protestos, considerados dos maiores dos últimos anos.

Estudantes universitários juntaram-se às manifestações na capital, que, de acordo com estimativas da imprensa local baseadas em imagens aéreas, reuniram mais de 100 mil pessoas num país com cerca de sete milhões de habitantes. Protestos semelhantes já vinham ocorrendo desde a semana anterior, inicialmente motivados por um projeto de orçamento que previa aumento de impostos, maiores contribuições sociais e crescimento da despesa pública — proposta que acabou retirada pelo governo.

Para os manifestantes, o plano orçamental representava uma tentativa de encobrir problemas estruturais ligados à corrupção, ampliando as exigências para a demissão do executivo de centro-direita. O presidente búlgaro, Rumen Radev, também apelou publicamente à renúncia do governo, afirmando que era necessário ouvir a voz das ruas.

Com a saída do executivo, caberá agora ao presidente consultar os partidos representados no parlamento para tentar formar um novo governo. Caso isso não seja possível, será nomeada uma administração interina até à realização de novas eleições — que poderão ser as oitavas em apenas quatro anos.

A Bulgária, considerada o país mais pobre da União Europeia, vive um período prolongado de instabilidade política. Analistas apontam que a fraca confiança nas instituições tem sido agravada por receios de aumento do custo de vida, num momento em que o país se prepara para adotar o euro.

Relatórios da Comissão Europeia têm alertado para deficiências no Estado de Direito, destacando níveis reduzidos de independência judicial e limitações na estratégia de combate à corrupção. Especialistas em opinião pública afirmam que a sociedade búlgara se encontra amplamente unida contra o atual modelo de governação, classificando o cenário como uma crise política e institucional profunda.

O atual governo resultou das eleições realizadas no ano passado, vencidas pelo partido conservador GERB, liderado pelo ex-primeiro-ministro Boyko Borissov. A coligação assumiu funções em janeiro, com Zhelyazkov, antigo ministro dos Transportes, à frente do executivo. As manifestações também têm sido alimentadas pela insatisfação popular com figuras políticas influentes acusadas de corrupção, acusações que continuam a ser negadas pelos envolvidos.

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