Sissoco Embaló concorre sem os principais opositores e sem jornalistas de língua portuguesa – Times de Todos

Mais de 966 mil eleitores são chamados este domingo às urnas para escolher o próximo Presidente da Guiné-Bissau e os 102 deputados da Assembleia Nacional Popular.
Este ato eleitoral marca as quartas eleições gerais realizadas no país e acontece pela primeira vez sem a participação do histórico PAIGC, afastado da corrida após decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que excluiu também outros principais concorrentes.
O Presidente Umaro Sissoco Embaló procura um segundo mandato e integra a lista de 12 candidatos às presidenciais. Durante a campanha, destacou-se a candidatura do independente Fernando Dias, que recebeu o apoio do PAIGC e do seu líder, Domingos Simões Pereira — igualmente excluído pelo Supremo e visto como principal adversário de Embaló.
Presidenciais sobrepõem-se às legislativas
A corrida à Presidência dominou a campanha eleitoral, deixando em segundo plano as legislativas, que irão definir a nova composição do parlamento, dissolvido há dois anos após o Presidente ter encerrado a maioria PAI–Terra Ranka, liderada pelo PAIGC.
Nenhum dos partidos que integravam a antiga maioria concorre nas legislativas de hoje, que contam com 14 listas concorrentes e a participação de uma nova coligação, a Plataforma Republicana, formada por 16 partidos em apoio à reeleição de Embaló.
Risco de nova crise pós-eleitoral
Vários analistas e organismos internacionais alertam para a possibilidade de uma nova crise política após as eleições, num contexto já marcado por tensões institucionais.
Delegações internacionais, incluindo observadores da CPLP, estão presentes no terreno para acompanhar o processo.
As eleições decorrem sem jornalistas portugueses, depois de o Governo guineense ter expulsado, em agosto, as equipas da Lusa, RTP e RDP.
Eleitorado e votação
A dissolução do parlamento abriu caminho à realização simultânea das legislativas e presidenciais, num cenário marcado pela polémica em torno do fim do mandato presidencial — que, segundo a oposição, terminou em fevereiro, enquanto o Presidente sustenta ter expirado apenas em setembro.
O número total de eleitores inscritos para estas eleições é de 966.152, mais 42 mil do que no último sufrágio legislativo, em 2023.
- No círculo Europa, que inclui países como Portugal, estão registados 26.420 eleitores, dos quais 13.764 residem em território português.
- No círculo África, somam-se 25.304 eleitores.
A votação será realizada em 3.728 assembleias de voto, distribuídas por 2.118 distritos eleitorais, tanto no território nacional quanto no estrangeiro — incluindo Cabo Verde, Guiné-Conacri, Gâmbia, Mauritânia, Senegal, Portugal, Espanha, Itália, França, Reino Unido, Alemanha e países do Benelux.
Segundo a legislação eleitoral guineense, as assembleias de voto abrem às 07h00 (mesma hora de Lisboa) e encerram às 17h00, iniciando-se de imediato o apuramento dos resultados no local.




