Família Denuncia Retirada de Órgãos de Mulher na Morgue de Chimoio – Times de Todos

Manica, Moçambique | 9 de Agosto de 2026
Um caso insólito e de grande gravidade está a chocar a província de Manica. Os familiares de uma mulher falecida no Hospital Provincial de Chimoio vieram a público denunciar a suposta extracção de órgãos do corpo da ente querida enquanto o mesmo se encontrava sob a custódia da morgue daquela unidade hospitalar.
O Descobrimento no Momento Fúnebre
A vítima, identificada como Inês Francisco, perdeu a vida na passada sexta-feira na sequência de doença. Contudo, o pior cenário desdobrou-se dois dias mais tarde, na manhã de domingo, quando os parentes se deslocaram à morgue com o objectivo de ultimar os preparativos para o funeral. De acordo com o testemunho prestado por Fernando João, o esposo da falecida, a família deparou-se com a ausência de vários órgãos no corpo.
Diante deste cenário chocante, a família tomou a decisão imediata de suspender as cerimónias fúnebres. Os parentes exigem agora um apuramento cabal da verdade sobre as circunstâncias que envolveram esta alegada mutilação pós-morte, bem como a responsabilização criminal dos culpados.
Posição das Autoridades e Análise Legal
Questionado sobre o sucedido, Manuel Dove, responsável pelo Departamento de Medicina Legal do Hospital Provincial de Chimoio, afastou o cenário de que o cadáver tenha sido submetido a um procedimento de autópsia. O responsável admitiu que a remoção dos órgãos se deu dentro das próprias instalações da morgue, embora não tenha apresentado, até ao momento, justificações claras sobre o enquadramento ou o modo como o ato ocorreu.
A análise de carácter jurídico foi reforçada pelo jurista Francisco Massambo. Após examinar o registo fotográfico dos cortes visíveis no corpo da falecida, o especialista concordou que os vestígios não correspondem aos procedimentos técnicos de uma autópsia legal.
A gravidade dos indícios leva o jurista a não descartar a hipótese de o incidente estar associado ao cibercrime ou a uma rede de tráfico de órgãos. Todavia, as autoridades ainda não apuraram a existência concreta de uma rede criminosa organizada nem identificaram os autores directos do acto.
Enquanto as instâncias competentes não avançam com as averiguações oficiais, a família de Inês Francisco mantém-se à espera de respostas e de diligências concretas que expliquem o que de facto aconteceu ao corpo da mulher na morgue do Hospital Provincial de Chimoio.
(Notícia elaborada com base nas informações divulgadas pelo jornal O País)




