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China condena à morte 11 membros da família Ming por esquema bilionário em Myanmar

Um tribunal chinês anunciou nesta terça-feira (30) a condenação à morte de 11 integrantes da família Ming, considerada uma das mais poderosas na região de fronteira entre a China e Myanmar. O clã foi acusado de liderar um esquema bilionário de fraudes, exploração e crimes violentos na cidade de Laukkaing, no estado de Shan, transformada em um verdadeiro enclave do crime.

Além das penas capitais, outros 28 membros da rede criminosa receberam sentenças que variam de prisão perpétua a mais de 20 anos de cadeia, segundo a emissora estatal CCTV e reportagens de veículos como The Guardian, AP News e Washington Post.

Um império do crime

De acordo com as investigações, desde 2015 a família Ming controlava cassinos ilegais, tráfico de drogas, prostituição e sofisticadas operações de fraude online, que enganaram milhares de vítimas em todo o mundo. Estima-se que os golpes tenham movimentado mais de R$ 7,4 bilhões.

A cidade de Laukkaing, sob a influência do clã, tornou-se conhecida como o “quartel-general do crime cibernético”, atraindo jogadores, golpistas e traficantes. Relatórios da ONU já descreviam o local como epicentro da chamada “ciberescravidão”, em que mais de 100 mil estrangeiros foram forçados a trabalhar em esquemas online sob jornadas abusivas e ameaças violentas.

Contexto político e internacional

A ofensiva contra o grupo ocorre após crescente pressão internacional para que Pequim enfrentasse as redes criminosas instaladas em áreas autônomas de Myanmar, muitas vezes ligadas a senhores da guerra e famílias de elite locais.

Segundo o Washington Post, o governo chinês teria tolerado durante anos a presença dessas famílias, até que os crimes e denúncias internacionais de tráfico humano e assassinatos se tornaram insustentáveis. O patriarca Ming Xuechang, apontado como chefe máximo da rede, já havia sido alvo de mandado de prisão em 2023, mas morreu antes do julgamento — em circunstâncias ainda cercadas de mistério.

Repercussão internacional

A sentença foi amplamente repercutida pela imprensa global. Para analistas, a decisão representa uma das maiores ofensivas da China contra redes de fraude digital e tráfico humano na região da Ásia-Pacífico.

Com a condenação do clã Ming, autoridades esperam desmantelar parte da estrutura criminosa que transformou a fronteira entre China e Myanmar em um dos maiores centros globais de fraudes online.

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