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Morre princesa da Tailândia aos 47 anos após três anos em coma – Times de Todos

O Gabinete da Casa Real da Tailândia emitiu um comunicado oficial a anunciar o falecimento da princesa Bajrakitiyabha Mahidol, aos 47 anos de idade. A filha mais velha do monarca Maha Vajiralongkorn e prestigiada advogada encontrava-se hospitalizada em estado de coma há mais de três anos.

O colapso em 2022 e o anúncio oficial

De acordo com a nota palaciana, a morte da carismática figura real ocorreu na noite de quinta-feira, numa unidade sanitária em Banguecoque. A princesa estava internada desde que perdeu subitamente a consciência devido a um problema de saúde.
O colapso deu-se em dezembro de 2022, enquanto Bajrakitiyabha participava num treino de canídeos destinado a uma exibição militar. Na altura, a Casa Real esclareceu que o quadro clínico fora desencadeado por uma infeção por micoplasma (uma bactéria frequentemente associada a casos de pneumonia).
Os sinais sobre o estado crítico da herdeira começaram a surgir logo no início de 2023, quando o cartão de felicitações de Ano Novo do Rei Maha Vajiralongkorn e da Rainha Suthida os exibiu vestidos com trajes pretos — o que foi lido pela sociedade tailandesa como uma confirmação velada da gravidade da situação. Nos anos seguintes, as raras informações libertadas pelo palácio apontavam constantemente para um cenário de degradação física irreversível.

Linhagem real e a linha de sucessão ao trono

Nascida a 7 de dezembro de 1978, Bajrakitiyabha era fruto do matrimónio entre o então príncipe herdeiro Vajiralongkorn e a sua primeira esposa, a princesa Soamsawali. Sendo o atual rei pai de sete filhos de três dos seus quatro casamentos, Bajrakitiyabha — também tratada pelo nome oficial de Estado, Bajrakitiyabha Narendira Debyavati — ocupava um lugar de destaque.
Embora o príncipe Dipangkorn Rasmijoti (o filho varão mais novo) seja apontado como o provável herdeiro do trono devido à precedência masculina que rege a linha sucessória na Tailândia, o percurso e a forte preparação de Bajrakitiyabha no funcionalismo público geravam forte especulação no país. Analistas equacionavam que a princesa estaria destinada a assumir funções de grande peso político na transição da coroa, possivelmente exercendo o papel de regente caso o futuro monarca fosse demasiado jovem.

Percurso académico em Direito e advocacia internacional

Bajrakitiyabha construiu uma sólida carreira jurídica à margem do seu estatuto de realeza:

  • Formação base: Concluiu a licenciatura em Direito pela prestigiada Universidade Thammasat, na Tailândia.
  • Pós-graduações: Mudou-se para os Estados Unidos para frequentar a Universidade de Cornell, onde obteve o grau de mestre em Direito (2002) e, posteriormente, o doutoramento (2005), cuja tese incidiu sobre os direitos e proteção dos arguidos no sistema judicial.
    O seu legado na instituição académica norte-americana foi perpetuado com a criação de bolsas de estudo em seu nome na Faculdade de Direito de Cornell, além do estabelecimento de um programa contínuo de intercâmbio de juristas e académicos entre Cornell e a Tailândia.

Ativismo pelas reclusas e as “Regras de Banguecoque”

Ao regressar ao seu país natal após uma curta passagem pela Missão da Tailândia junto da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque, iniciou funções na magistratura como procuradora. Mais tarde, entre 2012 e 2014, assumiu o cargo de embaixadora da Tailândia na Áustria.
Em 2017, o seu foco na justiça criminal levou à sua nomeação como embaixadora da Boa Vontade do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC). Destacou-se globalmente pela criação do projeto Kamlangjai (ou “Inspire”), focado na reabilitação e reinserção social de mulheres detidas no período que antecedia a sua restituição à liberdade.
A sua determinação na melhoria das condições das prisões femininas e no combate à violência doméstica resultou num marco histórico: a disposição da Assembleia Geral da ONU em adotar as chamadas “Regras de Banguecoque”, que passaram a balizar o tratamento e a assistência humanitária devida às mulheres reclusas em todo o mundo. Para além disso, a princesa também atuou ativamente como embaixadora honorária de Boa Vontade da ONU Mulheres.
Numa entrevista concedida em 2013 à agência Associated Press, a princesa sintetizou a sua filosofia de vida e visão política:

“A sociedade não pode crescer se houver instabilidade e injustiça. Sem o Estado de direito, sem um bom sistema judicial, há sempre caos. Penso que o Estado de direito é um pilar muito importante para o desenvolvimento, para o crescimento económico e, claro, para os direitos humanos.”

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