Núcleo da Terra inverte rotação e cientistas investigam impacto no planeta – Times de Todos

Pesquisas recentes publicadas nas revistas Nature e Nature Geoscience revelam que o núcleo interno da Terra — uma esfera sólida de ferro e níquel com dimensões comparáveis às da Lua, situada a mais de 5.000 km de profundidade — abrandou, parou e começou a girar em sentido contrário ao da superfície. Embora o fenômeno siga um ciclo de décadas, seus efeitos já são detectáveis, ainda que sutis.
Estudos recentes
Em 2023, os cientistas Yi Yang e Xiaodong Song, da Universidade de Pequim, analisaram dados sísmicos coletados desde a década de 1960 e constataram que o núcleo interno, que normalmente gira ligeiramente mais rápido que a superfície, desacelerou por volta de 2009 e iniciou um processo de inversão. Eles sugerem que este fenômeno se repete em ciclos de cerca de 70 anos, com uma inversão semelhante registrada nos anos 1970.
Já em 2024, John Vidale, da Universidade do Sul da Califórnia, e Wei Wang, da Academia Chinesa de Ciências, estudaram 121 pares de terramotos repetitivos nas Ilhas Sandwich do Sul. A análise mostrou que, enquanto o núcleo girava mais rápido por décadas, a partir de 2010 o ritmo inverteu-se.
Descoberta surpreendente
Um estudo de 2025 liderado por Vidale indicou que não é apenas a rotação do núcleo que mudou. Ondas sísmicas registradas em diferentes locais sugerem que a superfície do núcleo interno está se deformando fisicamente, possivelmente sendo empurrada e movida pelo núcleo externo líquido. “É quase ficção científica imaginar o que acontece no núcleo interno”, disse Vidale.
Causas das mudanças
O núcleo interno é cercado pelo núcleo externo líquido, responsável pelo campo magnético terrestre. A variação na rotação parece ser causada por uma combinação de fatores:
- Movimento do ferro líquido no núcleo externo
- Forças gravitacionais de regiões densas do manto rochoso
- Diferenças de temperatura e densidade nas camadas internas
Especialistas divergem sobre a periodicidade do ciclo: enquanto alguns sugerem cerca de 70 anos, outros indicam que o ciclo pode ser de 20 a 30 anos, ou até mais curto, com base em testes nucleares históricos.
Estado do núcleo
Pesquisas de 2025 lideradas por Youjun Zhang, da Universidade de Sichuan, indicam que o núcleo interno pode se encontrar em estado superiônico, uma fase intermediária entre sólido e líquido, onde átomos mais leves se movem livremente por uma estrutura cristalina rígida.
Impactos na superfície
Apesar da magnitude do fenômeno, os efeitos diretos no dia a dia são mínimos. A inversão da rotação altera levemente a duração do dia — em milésimos de segundo — e pode influenciar o campo magnético terrestre, que protege a vida da radiação solar e sustenta tecnologias como GPS e comunicações via satélite. Cientistas continuam monitorando registros sísmicos globais para entender melhor os ciclos do núcleo e seus efeitos sobre o planeta.



