Europa perde maior fornecedor de alumínio após paralisação da Mozal em Moçambique – Times de Todos

A empresa australiana South32 Ltd. anunciou a paralisação temporária da fundição de alumínio Mozal, localizada nos arredores de Maputo, devido à impossibilidade de garantir um fornecimento de energia a preços acessíveis além do final deste mês. A decisão afeta o mercado europeu, já que a Mozal respondia por cerca de um quinto das importações de alumínio bruto da Europa, segundo dados da Eurostat.
A operação, que completa 25 anos, foi colocada em regime de manutenção preventiva, enquanto os preços globais do alumínio atingem níveis recordes não vistos desde 2022. Para Moçambique, o impacto é significativo: a Mozal representa cerca de 2% do Produto Interno Bruto e quase 20% das receitas de exportação do país.
O fechamento da fundição ocorre em um momento de alta volatilidade nos mercados internacionais, já que a guerra no Irã levou à redução da produção em instalações estratégicas no Bahrein. Além disso, a interrupção reforça os desafios energéticos enfrentados pelas indústrias de alta intensidade de energia na região, que dependem de fornecimento consistente e tarifas competitivas para se manterem operacionais.
A South32 detém 63,7% da Mozal, enquanto a Industrial Development Corp. da África do Sul possui 32,4%, e o governo moçambicano detém o restante. Atualmente, a energia da fundição é fornecida pela sul-africana Eskom, originada da barragem de Cahora Bassa em Moçambique.
Com a paralisação, a alumina que seria processada pela Mozal será direcionada para venda a terceiros, com preços atrelados aos índices de mercado, reforçando a pressão sobre o setor de alumínio global.




